Na tarde de quarta‑feira (29), na sede do Ministério Público da Bahia em Senhor do Bonfim, foi instituído um Grupo de Trabalho com vistas a avançar na regulamentação da tradicional prática da Guerra de Espadas.
Participam representantes da Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB), do MP‑BA, da Polícia Militar da Bahia, da Prefeitura Municipal e da Câmara de Vereadores, com adesão futura do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia e da Polícia Civil da Bahia.
Desenvolvimento
A iniciativa representa um passo importante para a cidade de Senhor do Bonfim no contexto da manifestação popular conhecida como Guerra de Espadas, tradicionalmente associada aos festejos juninos e à cultura local.
A ACESB indica que a prática, embora carregada de forte identificação regional, enfrenta obstáculos legais e de segurança. Conforme veiculado por veículos da Bahia, a fabricação artesanal dos artefatos (espadas e busca‑pés) é proibida desde 2017 no estado por risco à integridade física, incêndios e mutilações.
No encontro, estiveram presentes:
- Felipe Pazzola (Promotor de Justiça)
- Mascarenhas (Ten. Cel., Polícia Militar)
- Neymar (Major, Polícia Militar)
- Ricardo Aquino (Assessor Jurídico da Câmara Municipal)
- Leandro Feitosa (Secretário de Administração)
- Renana Maia (Secretária de Saúde)
- Jaqueline Araújo (Secretária de Cultura)
- Alex Barbosa, George Nascimento e Pablo Fabiano (representantes da ACESB)
O documento divulgado informa que o Grupo de Trabalho terá a missão de:
- Mapear e elaborar proposta de norma/regulamentação para a fabricação e queima das espadas;
- Estabelecer protocolos de segurança, insumos, capacitação e local apropriado de uso;
- Integrar participação das instâncias de segurança (PM, Bombeiros, Polícia Civil) e gestão municipal;
- Considerar o potencial identitário e turístico da manifestação, equilibrando cultura, economia e segurança.
Contexto da tradição e seus desafios
A Guerra de Espadas é uma manifestação que, na Bahia, enfrenta resistências por conta de questões legais e de segurança. Em reportagem de outubro de 2025, foi destacado que em Senhor do Bonfim e outros municípios a fabricação e soltura dos artefatos continuam proibidas, embora haja forte mobilização em prol da regulamentação.
Entre os riscos elencados pelas autoridades estão queimaduras graves, traumatismos e uso de insumos explosivos de forma clandestina.
A proposta de regulamentação busca justamente compatibilizar a preservação cultural com a garantia de segurança dos participantes e público.
Direitos de resposta & pluralidade
A ACESB informa que apoia a iniciativa e defende que a tradição seja valorizada, reconhecida como patrimônio e formalizada. Já o MP‑BA e as forças de segurança salientam que qualquer flexibilização deve estar amparada por normas claras e fiscalização rigorosa para evitar riscos.
A Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim, por meio de nota em data recente, reforçou que embora a tradição possua valor histórico, “a fabricação, comercialização e soltura de espadas permanecem sujeitas à sanção penal enquanto não houver regulamentação aprovada”.
A formação do Grupo de Trabalho revela uma possível virada no tratamento da Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim: de manifestação reprimida, para objeto de diálogo institucional e regulamentação.
O processo ainda é incipiente, mas sinaliza caminho para que cultura, tradição e segurança caminhem juntos no Piemonte Norte do Itapicuru. A editora do Portal do Piemonte acompanhará os próximos passos e informará sobre normas, prazos e participação da comunidade.