Um caso de violência sexual contra uma idosa vem gerando profunda comoção em Pindobaçu, no Piemonte Norte do Itapicuru. A enfermeira Aizia Salvador, residente em Senhor do Bonfim, denunciou um amigo próximo da família por abusar sexualmente de sua mãe, uma mulher de 59 anos, acamada e sem fala.
O agressor, de 62 anos, foi flagrado por câmeras de segurança instaladas no quarto da vítima, originalmente utilizadas para acompanhar o estado de saúde dos pais, que vivem sozinhos em Pindobaçu. A filha, que trabalha em Senhor do Bonfim, relatou que mantinha o monitoramento à distância, realizando visitas regulares à casa dos pais.
Confiança traída por amigo da família
A relação de confiança foi rompida em setembro deste ano, quando Aizia notou movimentações suspeitas nas gravações e decidiu revisar o conteúdo. Nas imagens, o homem — amigo íntimo da família por mais de dez anos — aparece tocando e beijando a idosa sem consentimento, inclusive colocando a mão dentro da fralda da vítima.
“Ele frequentava nossa casa diariamente e nunca levantou suspeitas. Quando vi as imagens, entrei em desespero. Não consegui acreditar que alguém de confiança fosse capaz de tamanha violência”, desabafou Aizia em entrevista.
Medidas imediatas e denúncia
Ao constatar o crime, Aizia agiu com rapidez: pediu ao pai, que é deficiente visual, que o expulsasse da residência, sem revelar a verdadeira razão. Logo em seguida, ela viajou até Pindobaçu e reuniu todo o material gravado para registrar o boletim de ocorrência na Delegacia Territorial do município.
De acordo com o relato, os abusos ocorreram em diversas ocasiões, geralmente nos momentos em que as cuidadoras da idosa se ausentavam por breves períodos.
Justiça e sentimento de impotência
O caso foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que emitiu parecer favorável à prisão preventiva do investigado. No entanto, o pedido foi negado pela Justiça, sob argumento de que o homem “não oferece risco à sociedade”.
Após ser intimado, o suspeito confessou os abusos ao ser confrontado com as imagens. Mesmo assim, responde ao processo em liberdade, o que gerou revolta na família.
“É um sentimento de impotência. Como alguém que faz isso com uma mulher indefesa não representa risco?”, questionou a filha, emocionada.
O Ministério Público informou que irá recorrer da decisão judicial. A prisão preventiva foi novamente solicitada, mas até o momento não houve resposta ao novo pedido.
