Senhor do Bonfim vive, em 2025, uma das temporadas esportivas mais ativas e bem-sucedidas da sua história recente.
Foram mais de 140 partidas realizadas na zona rural, dezenas de comunidades envolvidas, categorias valorizadas e juventude engajada. A Superintendência de Esportes e a Prefeitura merecem o reconhecimento: investiram, organizaram e estiveram presentes.
A final da Copa Rural foi um reflexo desse esforço. Estádio cheio, mais de 1.200 pagantes, arrecadação histórica de mais de 32 mil reais — sendo 20 mil investidos diretamente pelo poder público. Os jogos foram emocionantes, com viradas e gols marcantes, como o chute de longa distância que deu a vitória ao Caco de Telha por 3 a 2. Foi, sem dúvida, um grande espetáculo esportivo.
No entanto, todo esse trabalho quase foi jogado fora por um ato irresponsável — e por uma reação que deixou a desejar.
Durante o segundo jogo da final, um torcedor do Nacional de Canavieiras lançou um rojão dentro do estádio. O artefato explodiu próximo a um atleta, provocando susto generalizado e gerando uma onda de tensão entre torcedores.
Em meio à confusão, relatos indicam que outros torcedores arremessaram garrafas de vidro, ferindo uma pessoa. A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal estavam presentes e intervieram prontamente, inclusive utilizando gás de pimenta para dispersar o tumulto, o que acabou afetando parte da torcida, inclusive crianças.
É preciso ser claro: isso não foi um “exagero de torcedor”, nem um “acidente de arquibancada”. Foi um ato criminoso, que colocou em risco a integridade física de atletas, crianças, famílias e todos que estavam no estádio para celebrar o futebol.
Mais preocupante ainda é a reação de parte do público. Embora alguns torcedores tenham tentado conter o responsável, outros se envolveram em confrontos, ignoraram os riscos e contribuíram para o agravamento da situação. A omissão também é uma forma de conivência.
Chegou a hora de encarar os fatos. O esporte em Bonfim deu certo. O povo participou. O poder público fez sua parte.
Mas enquanto houver quem ache normal entrar com rojão ou garrafa de vidro em um estádio, todo esse esforço continuará ameaçado.
Segurança precisa ser tratada como prioridade, não como detalhe. É preciso haver revista nas entradas, regras claras, e, se necessário, punição exemplar para quem coloca vidas em risco. E, acima de tudo, é preciso que a própria torcida evolua.
Porque não adianta cobrar da organização se a população não estiver disposta a se comportar à altura do evento que deseja.
O esporte em Bonfim merece continuar crescendo. Mas para isso, é preciso mais responsabilidade — de quem organiza, de quem fiscaliza e, principalmente, de quem torce.
Bonfim merece futebol com emoção. Mas nunca com explosão.