Uma reportagem publicada pelo site Intercept Brasil no dia 17 de dezembro de 2025 trouxe à tona áudios atribuídos a pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus, sugerindo que a instituição teria orientado, de forma coordenada, a mobilização política de seus fiéis durante as eleições de 2024.
Os áudios, segundo a matéria, teriam sido obtidos por um ex-pastor da instituição, e mostram orientações sobre o uso de redes sociais, listas de transmissão e diálogos entre fiéis, amigos e vizinhos com vistas à eleição de candidatos apoiados pela igreja ou vinculados ao partido Republicanos.
Contudo, até o momento, não existe qualquer decisão da Justiça Eleitoral que reconheça crime ou abuso de poder relacionado ao conteúdo dessas gravações.
Também não há perícia técnica independente que comprove a autenticidade dos áudios divulgados. O que há, portanto, são interpretações e análises jornalísticas, legítimas, mas que não têm força de condenação legal.
Especialistas ouvidos por outras fontes apontam que orientações sobre engajamento cívico e participação política, quando feitas sem coação e fora do uso de recursos públicos, são amparadas pela Constituição.
A liberdade religiosa e a liberdade de expressão garantem que líderes religiosos, como qualquer outro cidadão, possam manifestar suas opiniões políticas e incentivar o debate, desde que isso não configure imposição de voto nem uso indevido de estrutura institucional.
Além disso, juristas alertam para o risco de se transformar narrativas jornalísticas em condenações antecipadas, o que fragilizaria o debate democrático e poderia alimentar preconceitos institucionais.
“Reportagem não é sentença”, resume um trecho de nota política divulgada por defensores da legalidade do processo.
A Igreja Universal não é citada em nenhuma ação eleitoral relativa a este caso, e nenhuma condenação foi proferida contra seus líderes ou sua estrutura organizacional.
As gravações, como publicadas, não comprovam plano ilícito, são descritas como semelhantes às vozes de líderes, sem confirmação técnica.
Diante do cenário, diversas lideranças políticas e jurídicas têm se posicionado em defesa do princípio da presunção de inocência, do pluralismo político e do respeito ao processo legal.
A expectativa agora é de que eventuais investigações sigam os trâmites formais, com provas técnicas, amplo direito de defesa e sem antecipação de julgamentos motivados por disputas ideológicas ou religiosas.