A possível reimplantação da Zona Azul em Senhor do Bonfim reacendeu debates entre comerciantes, representantes da sociedade civil e o poder público municipal.
A gestão atual estuda retomar o sistema de estacionamento rotativo pago, com aumento na tarifa: o valor que antes era de R$ 2 poderá dobrar, passando para R$ 4.
Segundo apurações feitas pelo Portal do Piemonte, a proposta da Prefeitura tem como justificativa principal o aumento da rotatividade no centro comercial da cidade.
Durante sua gestão anterior, o prefeito teria argumentado que o sistema foi eficaz para melhorar o fluxo de veículos e facilitar o acesso de consumidores às lojas da região central.
No entanto, a reação foi imediata. Comerciantes já se mobilizaram com protestos organizados e levaram suas insatisfações diretamente às autoridades.
Um dos principais focos da crítica é o reajuste no valor da tarifa, considerado abusivo por lojistas e consultantes da área central, que alegam estarem sendo “tratados como obstáculos” e não como parceiros no desenvolvimento econômico do município.
A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Senhor do Bonfim (ACIASB) se posicionou de forma contrária à reimplantação. O presidente da entidade, Fernando Henrique, afirmou que
“a medida não é favorável ao comércio local, especialmente em um período de recuperação econômica e queda no poder de compra da população”.
Em declaração à imprensa, ele destacou que o verdadeiro problema de Senhor do Bonfim não é a existência ou não da Zona Azul, mas sim a falta de vagas de estacionamento.
“Com ou sem Zona Azul, não tem vaga. O problema é a escassez de espaços, e não o sistema em si”, pontuou.
Fernando Henrique também criticou o caráter arrecadatório do novo modelo apresentado pela Prefeitura, defendendo que qualquer solução precisa, antes de tudo, gerar atividades econômicas e facilitar a mobilidade urbana.
Ele também questionou os resultados de uma pesquisa apresentada pelo Executivo, que indicaria 70% de aprovação popular à reimplantação do sistema.
Segundo ele, enquetes feitas em grupos de comerciantes, na própria ACIASB e em redes sociais mostram o oposto: ampla maioria contrária.
Por sua vez, a Prefeitura divulgou em novembro os resultados de uma pesquisa de opinião pública coordenada pela Secretaria Municipal de Administração.
O levantamento foi realizado pela Agência Promove entre os meses de setembro e outubro de 2025, ouvindo mais de 400 pessoas, incluindo lojistas, trabalhadores do comércio, moradores, motoristas e entregadores. De acordo com o estudo, 72% dos entrevistados se mostraram favoráveis ao retorno do sistema rotativo de estacionamento.
Ainda segundo o relatório apresentado, 93% dos participantes relataram dificuldades frequentes para encontrar vagas no centro da cidade, e atribuíram à Zona Azul o potencial de organizar melhor o trânsito, dinamizar o comércio e melhorar a fluidez urbana.
O secretário municipal de Administração, Leandro Feitosa, afirmou que o processo está sendo conduzido com ampla escuta.
“Realizamos audiência pública, consulta e agora a pesquisa. A decisão final será tomada com base no interesse coletivo e no que trouxer melhores soluções para o ordenamento urbano”, explicou.
Diante da polêmica, a ACIASB e outras entidades de classe planejam contratar uma empresa independente para realizar uma pesquisa mais ampla e representativa sobre o tema.
A proposta é que essa nova consulta reflita melhor a opinião da população e do setor produtivo local.
A Prefeitura ainda não divulgou detalhes sobre prazos ou formatos definitivos para o retorno da Zona Azul, mas o tema já entrou na pauta política e promete gerar novas discussões nas próximas semanas.
