A morte da jovem Beatriz, conhecida como “Bia”, de 19 anos, gerou comoção em Senhor do Bonfim e, infelizmente, uma onda de boatos que tem causado dor à família da vítima e prejuízo aos comerciantes de acarajé da cidade.
Nesta terça-feira (14), a mãe e a tia da jovem enviaram um áudio ao programa Pega Fogo, da Rádio Rainha FM, pedindo o fim das especulações e a retirada das imagens que continuam circulando nas redes sociais.
Chorando, a mãe de Bia desabafou:
“Pelo amor de Deus, parem com isso. Eu não aguento mais ver as fotos da minha filha rodando por aí, com mentira. Estão dizendo que foi acarajé envenenado, que foi o ex-marido… nada disso é verdade.”
A tia também reforçou o apelo, lembrando que os boatos atingem outras pessoas inocentes:
“A moça que vende o acarajé está chorando, sem conseguir vender nada. Estão dizendo que ela matou alguém, mas ela também comeu do mesmo acarajé. Isso acabou com ela. Parem de inventar essas coisas.”
Enquanto a família tenta lidar com o luto, vendedores de acarajé relatam queda brusca no movimento desde que o caso passou a ser associado de forma ainda não confirmada ao consumo do alimento. Um comerciante relata:
“Na sexta-feira, o movimento já caiu. No sábado, foi pior ainda. Começamos a perceber que outros estabelecimentos também estavam vazios. Estamos sendo vítimas de uma notícia mal divulgada.”
Outro depoimento, em forma de carta aberta, cobra mais responsabilidade da imprensa e apoio das autoridades locais:
“Peço humildemente que revejam as matérias. Nossa renda vem disso. Quantas famílias dependem do comércio de acarajé? Algumas matérias foram tendenciosas. A perícia ainda vai esclarecer o que houve. Até lá, quem nos defende?”
A família de Bia reforça que a causa da morte só será oficialmente conhecida após a divulgação do laudo médico-legal. Enquanto isso, pedem que a imagem da jovem deixe de ser compartilhada:
“Ela era uma menina boa, muito querida. Está sendo muito difícil pra gente”, concluiu a mãe.
Comerciantes e familiares concordam em um ponto essencial: é preciso responsabilidade na forma como os fatos são tratados publicamente. As investigações continuam, e até a divulgação oficial dos resultados, qualquer acusação ou insinuação precipitada pode causar danos irreparáveis.
O caso que abalou Senhor do Bonfim se desdobra em duas frentes de sofrimento: o da família de Bia, que pede respeito e verdade, e o dos comerciantes de acarajé, que enfrentam queda na renda por conta de boatos não confirmados. Enquanto o laudo oficial não é divulgado, a comunidade apela por empatia e cautela.