Em uma noite marcada pelo diálogo, troca de experiências e emoção, a Câmara de Vereadores de Senhor do Bonfim foi palco, nesta terça-feira (1º), do Primeiro Encontro de Saberes sobre a Guerra de Espadas.
O evento foi promovido pela Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB) com apoio da Prefeitura, Câmara Municipal, Ministério da Cultura e da Política Nacional Aldir Blanc, reunindo importantes vozes da cultura, da segurança pública, do setor jurídico e técnico da pirotecnia nacional.
O presidente da ACESB, Alex Barbosa, destacou o momento como mais um passo fundamental na caminhada pela regulamentação da tradicional guerra de espadas bonfinense.
“O evento é mais uma ação dentro do processo de regulamentação. Trouxemos visões técnicas, jurídicas e experiências de outros estados para mostrar que é possível manter essa tradição com segurança e dentro da legalidade”, afirmou.
Alex ressaltou ainda o apoio estratégico do SENAI de Santo Antônio do Monte (MG) segundo maior polo pirotécnico do mundo — e o avanço no diálogo com órgãos como o Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Câmara de Vereadores.
“Hoje não discutimos mais se a prática é proibida ou não. A grande conquista da ACESB foi mudar a pauta: agora discutimos como fazer da forma correta”, completou.
SENAI MINAS reforça parceria técnica para legalização da fabricação
O analista técnico do SENAI de Minas Gerais, Rodrigo Magela, foi um dos convidados especiais da noite. Representando a unidade de Santo Antônio do Monte, ele destacou a seriedade da parceria com a ACESB e o potencial do movimento bonfinense em alcançar a regulamentação.
“O SENAI Santo Antônio do Monte – Centro Tecnológico em Minas Gerais, foi procurado para contribuir tecnicamente com a legalização do artefato. Nosso trabalho começa com o entendimento do processo de fabricação, para então buscar a certificação exigida pelo Exército Brasileiro. Não se pode legalizar o uso de algo cuja produção é ilegal desde a origem”, explicou.
Com anos de experiência no setor pirotécnico e atuação em processos de certificação junto ao governo dos Estados Unidos, Magela reafirmou o comprometimento da instituição com o projeto:
“A busca da ACESB com o SENAI é legítima. Estamos aqui para avaliar se a certificação e a legalização da espada são viáveis, e tudo começa com a produção regularizada.”
Caminho rumo à legalização ganha força
Além das participações técnicas e jurídicas, o evento reafirmou a importância da Guerra de Espadas como manifestação cultural e identidade do povo bonfinense. O encontro teve o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Aldir Blanc, fortalecendo ainda mais o respaldo institucional à causa.
Com uma plateia atenta, o evento sinalizou uma nova fase no debate sobre a tradição: a busca realista por caminhos legais, técnicos e seguros para sua prática.
Ao final, o sentimento geral era de esperança e comprometimento coletivo para que, em breve, a centenária tradição da Guerra de Espadas volte a brilhar nos céus de Senhor do Bonfim agora, com respaldo legal e segurança para todos.