A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, com apoio do Batalhão Apolo da Polícia Militar. As investigações tiveram origem no Ministério Público de São Paulo e avançaram até identificar que o esquema estaria sendo operado a partir de uma residência na capital baiana.
Durante a ação, realizada no bairro de Nova Brasília, foram apreendidos celulares, computadores e documentos. Todo o material será submetido à perícia para aprofundar as investigações e identificar possíveis desdobramentos do esquema.
Segundo o Ministério Público, os investigados coletavam e vendiam informações sigilosas, incluindo logins de acesso, dados bancários, registros governamentais, informações policiais, fotografias e até dados de reconhecimento facial. Parte desse material teria sido utilizado por terceiros para a prática de outros crimes.
As apurações indicam ainda que os suspeitos figuravam como beneficiários diretos dos pagamentos relacionados à comercialização dos dados, além da produção de documentos falsos a partir dessas informações, como atestados de óbito.
O casal é investigado por crimes como invasão qualificada de dispositivo informático, falsidade documental e estelionato, entre outros delitos que seguem sob análise.
As investigações também identificaram a existência de uma plataforma online utilizada para oferecer serviços ilegais de consulta a bancos de dados restritos. O acesso era comercializado por meio de logins exclusivos.
A pedido das autoridades, o domínio já foi bloqueado. Além disso, foram identificadas dezenas de mensagens eletrônicas relacionadas a transações financeiras vinculadas à atividade criminosa. Os valores cobrados pelos dados podem chegar a R$ 15 mil, embora haja indícios de cifras ainda maiores.
Embora o caso tenha ocorrido em Salvador, o crime envolvendo vazamento e comercialização de dados preocupa autoridades em todo o estado, incluindo municípios do Piemonte Norte do Itapicuru, como Senhor do Bonfim, Campo Formoso e Jaguarari.
Especialistas alertam que esse tipo de prática pode afetar diretamente cidadãos do interior, que muitas vezes têm seus dados utilizados sem conhecimento em fraudes e outros crimes digitais.
A Operação Farsa Digital evidencia o avanço de crimes cibernéticos na Bahia e reforça a necessidade de fiscalização e proteção de dados pessoais. As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.