Um alerta importante tem surgido em clínicas e consultórios da região de Senhor do Bonfim e demais municípios do Piemonte Norte do Itapicuru: médicos recém-formados estariam se apresentando como especialistas, sem terem feito residência ou possuírem titulação reconhecida oficialmente.
A prática, considerada antiética pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), preocupa pais e responsáveis, especialmente quando envolve áreas sensíveis como a neuropediatria, que exige conhecimento profundo, diagnóstico preciso e experiência clínica acumulada.
Em um caso recente, que chegou de forma anônima à redação do Portal do Piemonte, uma médica com registro profissional regular, porém sem especialidade registrada no CRM, estaria se divulgando como neuropediatra, cobrando valores de consulta acima da média e atendendo crianças sem comprovação formal de capacitação na área.
“Um diagnóstico errado pode afetar toda a vida de uma criança. Não se trata apenas de ética, mas de responsabilidade médica e segurança dos pacientes”, desabafa a denunciante.
O que diz a legislação?
De acordo com a Resolução nº 1.974/2011 do CFM, é proibido o uso do título de especialista sem registro de especialidade reconhecida no Conselho. O profissional só pode se apresentar como tal após concluir residência médica credenciada ou obter titulação por meio de sociedades médicas autorizadas.
Além disso, propagandas enganosas, como folders, redes sociais e anúncios afirmando uma especialidade inexistente, podem ser denunciadas aos Conselhos Regionais de Medicina e ao Ministério Público.
Como identificar se um médico é realmente especialista?
O cidadão pode consultar gratuitamente o site do Conselho Federal de Medicina (https://portal.cfm.org.br) ou o portal do CRM-BA para verificar:
- Situação do registro do profissional;
- Se possui especialidade registrada oficialmente;
- Instituição de formação e data de inscrição.
Diagnóstico não é teste: o perigo da desinformação
Em áreas como a neuropediatria, diagnósticos equivocados podem levar a tratamentos errados, uso indevido de medicamentos controlados e impactos graves no desenvolvimento infantil.
Por isso, é fundamental que os pais exijam comprovação de especialização antes de confiar o acompanhamento de seus filhos.
A prática indevida de anunciar-se como especialista sem formação validada pode configurar infração ética, sendo passível de punições administrativas, civis e até criminais.
O Portal do Piemonte reforça a importância de denunciar anonimamente ao CRM-BA ou ao Ministério Público sempre que houver suspeita de exercício irregular da medicina.