Regulação da morte? Vereadores de Senhor do Bonfim denunciam falhas graves no sistema de acesso à saúde

© Imagem / Divulgação / Internet

O sistema de regulação da saúde voltou ao centro do debate em Senhor do Bonfim, após fortes declarações de vereadores na Câmara Municipal nesta semana. A discussão ganhou urgência após o caso do paciente Pedro Neto, que evidenciou a morosidade do processo de liberação de vagas para internação e tratamento.

O vereador Tavinho da Pêra foi enfático: chamou o sistema de “regulação da morte”, criticando a lentidão e a escassez de vagas que, segundo ele, estão custando vidas. “Não é possível que tantas pessoas precisem morrer esperando por uma vaga. Isso é um crime contra os mais pobres”, declarou na tribuna.

O vereador Weslen Aquino foi ainda mais duro. Segundo ele, não se pode nem chamar o sistema de uma fila. “Fila pressupõe ordem, previsibilidade.

Mas na regulação, o cidadão sequer sabe onde está ou quando será atendido. Há indícios claros de uso político do sistema, o que fere profundamente a equidade prevista no SUS”, denunciou.

Idailton Galeguinho, também vereador, ressaltou que não se deve responsabilizar apenas o município. “Quem libera a vaga é o Estado. O médico faz o pedido, o município cadastra, mas quem decide é o governo estadual. Precisamos de uma gestão mais responsável e humana.”

O que é a Regulação em Saúde?

O sistema de regulação é uma ferramenta criada para organizar o acesso da população a consultas, exames, internações e cirurgias mais complexas. Por meio do SISREG, os pedidos são feitos pelos médicos e aguardam liberação, muitas vezes para vagas em outras cidades ou hospitais de maior porte.

Na teoria, o sistema garante justiça e prioridade aos casos mais graves. Na prática, porém, tem se mostrado um verdadeiro obstáculo para os pacientes.

Três esferas, uma crise

Hoje, o sistema de regulação é dividido em três níveis:

  • Município: realiza o cadastro e acompanha o paciente;
  • Estado: é responsável por liberar a vaga e direcionar o atendimento;
  • União: fornece suporte financeiro e normativo.

Essa fragmentação, no entanto, tem gerado um jogo de empurra, onde a população sofre com a falta de respostas.

Principais problemas apontados

Falta de transparência: Pacientes e familiares não conseguem acompanhar sua posição na fila, nem saber quando serão atendidos. Isso gera angústia e desconfiança.

Escassez de vagas: A demanda é muito maior que a oferta, especialmente em regiões do interior como o Piemonte Norte do Itapicuru. Muitas vezes, simplesmente não há vaga.

Responsabilidade difusa: O sistema envolve três esferas, mas nenhuma assume a responsabilidade final pelo atendimento.

Uso político: Há relatos de que pacientes com influência política conseguem atendimento mais rápido, o que quebra o princípio de igualdade do SUS.

Um sistema necessário, mas que pede socorro

Apesar das críticas, especialistas defendem que a regulação é uma ferramenta essencial para organizar o acesso ao sistema de saúde. No entanto, há consenso de que ela precisa de reformas urgentes:

  • Maior transparência para os pacientes;
  • Investimentos para ampliação de leitos e serviços;
  • Uso de tecnologia para monitoramento em tempo real;
  • Definição clara de responsabilidades entre os entes federativos.

Quando se trata de saúde, cada segundo conta. E o povo do Piemonte Norte do Itapicuru exige respostas.

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