A recente “Operação Compliance Zero”, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um escândalo financeiro de proporções bilionárias envolvendo o Banco Master (Credcesta) e o BRB Banco de Brasília.
No centro das investigações está uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), tomada em 2021, que pode ter aberto caminho para o esquema fraudulento: a troca da custódia dos depósitos judiciais do Banco do Brasil para o BRB.
Na época, o então presidente do TJBA, desembargador Lourival Trindade, homologou o Pregão Presencial nº 001/2021, gerando o Contrato nº 39/2021-S. A decisão foi criticada por entidades como a OAB-BA, que apontavam a baixa capilaridade do BRB na Bahia e seu histórico de gestão temerária.
O alerta, ignorado, agora ressurge com força após a descoberta de que os repasses entre o BRB e o Banco Master somaram R$ 16,7 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025.
O ponto de ligação com a Bahia está nas entidades que, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, foram usadas para forjar operações financeiras: a ASTEBA (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da Bahia) e a ASSEBA (Associação dos Servidores da Saúde da Bahia).
Investigações apontam que essas entidades foram usadas para justificar cessões de crédito milionárias sem respaldo real, posteriormente atribuídas a uma empresa suspeita, a Tirreno Consultoria, criada possivelmente como fachada.
O objetivo seria driblar os limites de exposição impostos pelo Banco Central. Com isso, o BRB injetava recursos no Banco Master por meio da compra de carteiras de crédito fictícias.
O então presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, que assinou o contrato com o TJBA em 2021, está entre os indiciados por gestão fraudulenta.
O caso lança uma sombra sobre a decisão do TJBA, considerada hoje o ponto de partida para a conexão da Bahia a uma rede financeira de alto risco. Para especialistas, o escândalo evidencia a necessidade de auditoria urgente e revisão dos contratos firmados com o BRB.