A Câmara de Vereadores de Senhor do Bonfim aprovou nesta semana o projeto de lei que autoriza a estadualização do Hospital Dom Antônio Monteiro (HDAM). A medida é considerada estratégica para fortalecer a rede de saúde do município e ampliar investimentos na unidade hospitalar.
A votação, no entanto, foi marcada por debates políticos dentro do plenário.
Durante a sessão, vereadores criticaram a saída do vereador Weslen Aquino, que deixou o plenário antes da votação do projeto.
Segundo relatos apresentados na discussão, o parlamentar teria se dirigido a um evento político ligado ao médico Thiago Gileno, pré-candidato a deputado estadual.
A situação gerou questionamentos entre parlamentares sobre prioridades no momento da votação, considerada por muitos como uma das mais importantes para o futuro da saúde pública local.
Debate político marcou a sessão
Durante a discussão em plenário, o vereador Biro-Biro defendeu a liberação do colega, argumentando que o evento político teria grande relevância por contar com a presença de um senador.
Ainda assim, alguns vereadores destacaram que o projeto em votação tratava diretamente da estrutura da saúde pública de Senhor do Bonfim, o que elevou o tom do debate.
O tema ganhou repercussão porque o médico Thiago Gileno já fez críticas públicas à situação da saúde no município e porque o médico responde a processos no Ministério Público Federal relacionados à gestão da saúde no município de Ponto Novo.
Em setembro de 2023, um laudo apresentado pela Polícia Federal apontou supostos desvios e aplicação irregular de recursos públicos envolvendo Gileno, sua esposa e uma empresa.
O prejuízo estimado, segundo o documento, seria de aproximadamente R$ 2 milhões.
Até o momento, as acusações seguem em tramitação judicial.
Reconhecimento à decisão que evitou o fechamento do hospital
Outro ponto que marcou a sessão foi o reconhecimento público à decisão tomada anos atrás pelo ex-prefeito Dr. Correia, responsável pela municipalização do Hospital Dom Antônio Monteiro.
Na época, o hospital enfrentava uma crise financeira severa e risco de fechamento.
Segundo dados apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde, quando a atual gestão assumiu a unidade em 2021 o hospital acumulava déficit de cerca de R$ 2,87 milhões, além de dificuldades estruturais e pressão sobre a equipe após o período mais crítico da pandemia.
A municipalização permitiu que o hospital continuasse funcionando e passasse por um processo de reorganização administrativa e assistencial.
Estrutura ampliada e serviços fortalecidos
Nos últimos anos, o HDAM passou por ampliação de serviços e fortalecimento da estrutura hospitalar.
Entre as melhorias apresentadas estão:
- 10 leitos de UTI geral credenciados
- 10 leitos de retaguarda
- UTI neonatal com 5 leitos e 5 de UCI
- Centro de parto normal e maternidade estruturada
Entre 2021 e 2025, o hospital realizou 17.781 internações e mais de 17 mil procedimentos hospitalares, consolidando-se como referência regional em atendimento hospitalar.
Próximo passo: fortalecimento da rede de saúde
Com a aprovação da estadualização pela Câmara, o hospital poderá entrar em uma nova fase administrativa, com possibilidade de maior financiamento e integração à rede estadual de saúde.
Para muitos vereadores, a votação simboliza a continuidade de um processo iniciado anos atrás, quando a municipalização garantiu a sobrevivência da unidade.
Agora, a expectativa é que a estadualização permita ampliar a capacidade de atendimento e consolidar o Hospital Dom Antônio Monteiro como uma das principais estruturas de saúde da região.
No centro do debate político e institucional, permanece o principal objetivo da decisão: garantir assistência de saúde à população de Senhor do Bonfim.