Coleta de lixo cresce no Brasil, mas 4,7 milhões ainda queimam resíduos em casa

© Imagem / Divulgação / Acervo do Portal

Apesar do avanço nos serviços de coleta de lixo no Brasil, os dados mais recentes da PNAD Contínua (2024), divulgados pelo IBGE, revelam um retrato ainda preocupante da realidade nas áreas rurais.

Em todo o país, 93,1% dos domicílios são atendidos pela coleta de lixo, seja de forma direta (86,9%) ou por meio de caçambas (6,2%). No entanto, 4,7 milhões de lares o equivalente a 6,1% ainda recorrem à queima de resíduos, prática que persiste principalmente no Norte e Nordeste.

Entre 2016 e 2024, a cobertura da coleta direta cresceu em todas as regiões, com destaque para o Nordeste, que saltou de 67,5% para 78,4%. Apesar disso, continua sendo a região com menor alcance do serviço.

O contraste entre zonas urbanas e rurais é ainda mais expressivo: enquanto 93,9% dos domicílios urbanos têm coleta direta, nas áreas rurais essa taxa cai para apenas 33,1%.

Queima de lixo preocupa e compromete saúde

A queima de lixo em casa ainda é realidade em 13,1% dos domicílios nordestinos e em 14,4% dos nortistas, totalizando 3,5 milhões de residências.

O analista do IBGE, William Kratochwill, alerta que essa prática impacta diretamente a saúde da população rural. “É um dado preocupante, que acarreta aumento de poluição e insalubridade, já que o lixo fica acumulado até ser queimado”, afirma.

Nas zonas rurais, mais da metade das moradias (50,5%) ainda queimam o lixo, enquanto apenas 11,7% têm acesso a caçambas públicas.

Esgoto ainda é desafio para milhões

Outro dado alarmante é o saneamento básico. Apenas 9,4% dos domicílios rurais têm esgoto conectado à rede geral ou a fossas sépticas integradas. No total do país, o índice é de 70,4%, com uma diferença brutal entre campo e cidade: 78,1% dos lares urbanos possuem escoamento adequado.

Ainda assim, 11,1 milhões de domicílios em todo o Brasil despejam seus dejetos de forma inadequada — em fossas rudimentares, valas ou diretamente em rios e lagos. No Norte, essa prática atinge 36,4% dos lares; no Nordeste, 25,1%.

Segundo o IBGE, a dificuldade de acesso à rede geral nas zonas rurais se dá, sobretudo, pelos altos custos e pela baixa densidade populacional. “Criar essa estrutura é moroso e caro, e a dispersão geográfica torna a implantação mais complexa”, explica Kratochwill.

Acesso à água e energia melhora

Por outro lado, o abastecimento de água pela rede pública chegou a 86,3% dos domicílios em 2024, e a energia elétrica alcançou 99,8% das residências, com fornecimento contínuo em quase todos os casos.

Nas áreas rurais, contudo, o uso de poços artesianos (30,8%), fontes e nascentes (13,3%) e poços rasos (12,9%) ainda é bastante comum, o que reforça a desigualdade no acesso aos serviços essenciais.

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