Em meio a um ano que promete redefinir alianças e estratégias para 2026, o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil) surge como peça-chave em uma articulação que pode abalar o bloco conservador na Bahia.
Nome influente da direita no estado e com forte atuação em Brasília, Elmar está no centro de conversas que envolvem sua possível filiação ao Avante, partido que integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula.
A articulação, segundo apuração do jornalista João Paulo (21/01/2026), envolve diretamente o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), com quem Elmar passou a manter interlocução frequente. O movimento é parte de uma estratégia de fortalecimento do Avante na Bahia, partido comandado no estado por Ronaldo Carletto, aliado próximo de Rui.
Nos bastidores, a avaliação é de que a chegada de Elmar ampliaria consideravelmente o peso político do Avante tanto na Bahia quanto no Congresso Nacional. Embora o deputado negue publicamente que esteja deixando o União Brasil, o cenário político já se ajusta à possibilidade cada vez mais concreta da mudança.
Elmar, que já defendeu publicamente o apoio do União Brasil à reeleição de Lula, integra o grupo interno do partido contrário a uma candidatura própria à Presidência. Sua posição confronta o projeto de Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), que articula uma campanha à presidência em 2026.
Essa divergência acirra ainda mais a divisão interna da legenda, hoje repartida entre três alas: uma que apoia Lula, outra que defende candidatura própria alinhada à direita, e uma terceira que prioriza alianças regionais.
Como gesto político, Elmar recebeu Ronaldo Carletto no último dia 16, em Trancoso, acompanhado de figuras de peso como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Angelo Coronel (PSD). A movimentação indica que a permanência de Elmar no União Brasil é cada vez menos provável.
A possível migração pode ter efeitos em cadeia. O deputado estadual Júnior Nascimento (União Brasil), primo de Elmar, também avalia trocar de partido. A decisão deverá ser tomada até abril, conforme a evolução do cenário eleitoral. Ambos já mantêm conversas avançadas com o Avante.
Atualmente, o Avante conta com dois deputados federais baianos, Neto Carletto, Pastor Isidório e um estadual, Patrick Lopes.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), há expectativa de que os deputados Felipe Duarte (PP) e Laerte do Vando (Podemos) também migrem para a sigla.
O impacto político da ida de Elmar para o Avante é significativo: além de estrutura e capital eleitoral, ele carrega articulação nacional. Sua saída poderá aprofundar a crise no União Brasil e abrir espaço para o surgimento de novas lideranças na direita baiana.
Para o governo estadual e federal, atrair Elmar é uma jogada estratégica: fortalece o Avante, neutraliza um adversário influente e amplia a base aliada em um momento decisivo da pré-eleição.
A movimentação sinaliza que o xadrez político na Bahia está longe de estar definido. E que a crise na direita, antes silenciosa, começa a se tornar visível.