O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça 28 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa com atuação no tráfico de drogas e outros crimes no extremo sul do estado. A denúncia foi apresentada na última terça-feira (26) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco Sul) e pela Promotoria de Justiça de Belmonte, em mais uma etapa da Operação Vento Norte.
A investigação foi conduzida em conjunto com a Polícia Civil da Bahia, por meio da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), e aponta a existência de uma estrutura criminosa organizada, com atuação em diversos municípios do extremo sul baiano e conexões com outros estados do país.
Entre os denunciados está Paulo Silva de Oliveira, conhecido como “Paulinho Chiclete”, presidente da Câmara de Vereadores de Guaratinga. Conforme a acusação apresentada pelo Ministério Público, ele exerceria funções de apoio logístico ao grupo, auxiliando no armazenamento e transporte de entorpecentes, além de monitorar movimentações policiais na região. O vereador está preso desde abril deste ano por posse ilegal de arma de fogo.
Estrutura criminosa e atuação interestadual
Segundo o MP-BA, a organização atuava de forma hierarquizada e estruturada em municípios como Eunápolis, Porto Seguro, Belmonte, Guaratinga, Itagimirim, Itabela, Itapebi e Santa Cruz Cabrália. As investigações também identificaram ligações com integrantes instalados no Complexo da Rocinha, no Rio de Janeiro.
De acordo com a denúncia, os suspeitos integrariam um esquema voltado ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, aquisição de armamentos de grosso calibre, domínio territorial armado e intimidação de comunidades. O grupo contava com uma divisão de funções que envolvia núcleo de liderança, braço armado, operadores financeiros, logística e colaboradores responsáveis por atividades de suporte.
Armas, drones e monitoramento policial
As investigações revelaram ainda que a organização mantinha uma estrutura armada considerada sofisticada, utilizando fuzis, munições de uso restrito, granadas, drones e equipamentos de comunicação. O material seria empregado tanto no monitoramento das ações policiais quanto em confrontos com grupos rivais.
Para reunir as provas, as forças de segurança realizaram interceptações telefônicas e telemáticas, análises de relatórios de inteligência, apreensões de armas e drogas, rastreamento de movimentações financeiras e extração de dados de aparelhos celulares.
Segundo o Ministério Público, o conjunto de provas obtidas ao longo da investigação permitiu identificar a atuação dos denunciados e a estrutura de funcionamento da organização criminosa.
Processo segue para análise da Justiça
Com o oferecimento da denúncia, caberá agora ao Poder Judiciário analisar o material apresentado pelo Ministério Público e decidir sobre o recebimento da ação penal. Caso a denúncia seja aceita, os investigados passarão à condição de réus e responderão aos crimes atribuídos pela acusação, garantindo-se a todos o direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo judicial.
Fonte: Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e Polícia Civil da Bahia.