O ex-prefeito de Ponto Novo e pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, Thiago Gilleno, voltou a gerar polêmica nas redes sociais ao comentar fiscalizações realizadas em unidades de saúde do município de Senhor do Bonfim.
Em uma publicação recente, Gilleno endossou a ação do vereador Jeorge Catatau, que encontrou medicamentos vencidos em um posto de saúde no distrito de Igará, incluindo cerca de 30 caixas de insulina com validade expirada desde julho do ano passado. A fala do ex-prefeito, no entanto, causou reações por seu tom debochado:
“Sé futucar sai M…)f”,
disse, insinuando haver irregularidades mais profundas na saúde do município.
Contudo, a tentativa de se colocar como fiscal da moralidade esbarra em seu próprio histórico judicial.
Thiago Gilleno é réu em ação penal movida pelo Ministério Público Federal, no processo 1001707-71.2021.4.01.3302, em trâmite na Vara Federal Cível e Criminal de Campo Formoso.
Segundo o MPF, quando sua esposa ocupava o cargo de secretária de saúde de Ponto Novo, contratos milionários foram firmados sem licitação, em 2013 e 2016, com a empresa “Serviços Médicos Acácia” — da qual o próprio Gilleno era sócio-administrador.
O órgão aponta fraude em sete contratos, firmados com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), gerando prejuízos ao erário.
A denúncia foi aceita e a ação está em fase de instrução.
A acusação se baseia em documentos e extratos financeiros que demonstram a origem federal dos recursos desviados.
Segundo o MPF, há “interesse direto da União” na apuração dos fatos, por se tratar de verbas federais repassadas ao município e destinadas à saúde da população.
Contradição e oportunismo?
A postura crítica de Gilleno em relação à saúde pública de Senhor do Bonfim tem sido interpretada por adversários políticos como estratégia de desgaste pré-eleitoral, mas também como falta de autocrítica.
“É no mínimo contraditório um político acusado de fraudar a saúde pública com verba federal apontar o dedo para outra gestão municipal”, comentou um servidor da área de saúde ouvido pela reportagem, sob condição de anonimato.
Processo segue em andamento
O Ministério Público Federal reforça que as provas apresentadas até o momento são suficientes para o prosseguimento da ação penal.
A defesa de Gilleno tenta anular parte da acusação, mas o processo segue tramitando normalmente.
Enquanto isso, o pré-candidato continua a se colocar como opositor ativo das administrações vizinhas, especialmente em Senhor do Bonfim, município estratégico no contexto eleitoral regional.
