A capital baiana, Salvador, aparece na última posição do ranking das capitais mais seguras do Brasil em 2024, divulgado pela plataforma MySide com base em dados do IBGE e do Ministério da Saúde. Com uma taxa alarmante de 57,6 assassinatos por 100 mil habitantes, Salvador lidera o ranking negativo, superando capitais como Recife (57,2) e Macapá (51,0).
O levantamento considera apenas assassinatos oficialmente registrados, oferecendo um retrato preocupante da violência urbana nas grandes cidades brasileiras. Em contraste, Florianópolis (SC) aparece como a mais segura, com taxa de apenas 10,7 homicídios por 100 mil habitantes.
Reflexos no interior e no Piemonte Norte do Itapicuru
Embora o estudo aborde exclusivamente as capitais, os reflexos no interior são inevitáveis. A violência urbana, muitas vezes associada a tráfico de drogas, facções e disputas territoriais, tende a migrar para regiões mais vulneráveis e menos assistidas pelo aparato de segurança pública.
Municípios do Piemonte Norte do Itapicuru como Senhor do Bonfim, Jaguarari, Campo Formoso, Pindobaçu, Filadélfia, Andorinha, Ponto Novo, Antônio Gonçalves e Caldeirão Grande observam com preocupação a possibilidade de interiorização da violência.
Para especialistas, é fundamental que o Estado atue de forma preventiva, com reforço ao policiamento, inteligência territorial e investimentos em educação e geração de oportunidades.
Desafios persistem no Piemonte
Apesar de estarem fora das estatísticas do ranking, os municípios do Piemonte enfrentam sérios desafios estruturais: efetivo policial reduzido, falta de viaturas, estruturas precárias em delegacias e, em alguns casos, como Antônio Gonçalves e Caldeirão Grande, dependência de unidades policiais de cidades vizinhas.
“Os índices da capital devem servir de alerta. O que começa lá pode respingar aqui, se não houver atenção. O investimento em segurança pública deve ser descentralizado”, alertou um agente da Polícia Civil, que preferiu não se identificar.
Caminhos para evitar a escalada da violência
A segurança nas pequenas e médias cidades também passa por ações integradas. Investimentos em educação, oportunidades de trabalho para jovens, fortalecimento das políticas de juventude e presença do Estado nas comunidades são fundamentais para evitar o alastramento da criminalidade.
Enquanto Salvador tenta reagir à crise de segurança, os municípios do Piemonte Norte do Itapicuru têm uma oportunidade estratégica: agir preventivamente antes que a violência se instale de forma irreversível.