O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT‑BA) se tornou um dos alvos da 9ª fase da Operação Overclean, deflagrada na manhã desta terça‑feira (13) pela Polícia Federal (PF), com apoio da Controladoria‑Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB). A ação investiga um suposto esquema criminoso de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.
A operação cumpre nove mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados ao parlamentar na Bahia e no Distrito Federal, incluindo seu apartamento funcional em Brasília e imóvel de alto padrão em Salvador.
Além de buscas, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper movimentações suspeitas e preservar ativos para eventual reparação ao erário público.
O que a PF investiga
Segundo as investigações, a organização criminosa supostamente operava com desvio de emendas parlamentares destinadas a municípios baianos, por meio de fraudes em licitações e contratos administrativos, pagamento de propinas e uso de empresas de fachada para lavar dinheiro.
Reportagens nacionais indicam que o deputado teve mais de R$ 110 milhões em emendas pagas desde 2023, e mais de R$ 216 milhões em repasses desde 2015, com recursos aplicados em áreas como saúde, educação e transferências a municípios baianos.
Resposta do deputado
Em nota oficial divulgada nesta terça‑feira, Félix Mendonça Júnior negou qualquer participação em irregularidades.
O parlamentar afirma que não negociou a execução de emendas, nunca indicou empresas para prestação de serviços e não exerce o papel de ordenador de despesas, limitando‑se à apresentação de emendas, que, segundo ele, visam beneficiar os municípios da Bahia.
O deputado também considerou que as investigações podem “macular reputações”, especialmente em ano eleitoral, e declarou que tem colaborado integralmente com a Justiça e que confia na apuração responsável e célere dos fatos.
Antecedentes da investigação
A Operação Overclean foi deflagrada originalmente em dezembro de 2024, com foco em uma rede que movimentou mais de R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos, envolvendo empresas, empresários e agentes públicos.
A nova fase da operação expande o foco para o núcleo político do esquema, com desdobramentos que incluem mandados de busca em Salvador, Brasília e outras cidades da Bahia.
Os investigados poderão responder por diversos crimes, incluindo organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.