O Brasil encerrou o primeiro turno das Eleições 2026 com um dado que vai além do resultado entre os candidatos: 33.469.244 brasileiros aptos a votar não compareceram às urnas neste domingo (4).
Com a totalização encerrada, o país registrou 158.745.079 eleitores aptos e comparecimento de 125.275.835 pessoas. A taxa de ausência terminou em 21,08%, segundo dados da Justiça Eleitoral.
O índice é o maior observado em uma eleição presidencial desde 1998, quando a abstenção chegou a aproximadamente 21,5%. A comparação é importante porque impede classificar 2026 como recorde histórico absoluto: o percentual atual ficou abaixo daquele registrado há 28 anos.
Abstenção cresceu em relação a 2022
No primeiro turno das eleições de 2022, a Justiça Eleitoral contabilizou 32.770.982 ausências, correspondentes a 20,95% do eleitorado.
Em 2026, portanto, o país teve aproximadamente 698 mil eleitores ausentes a mais do que quatro anos atrás.
Em termos percentuais, a mudança parece pequena — de 20,95% para 21,08% —, mas ocorre sobre um universo eleitoral superior a 158 milhões de pessoas e mantém uma tendência de abstenção elevada nas eleições nacionais.
O dado também reforça uma diferença importante entre abstenção, voto branco e voto nulo.
Enquanto 33.469.244 eleitores não foram às urnas, entre aqueles que compareceram houve 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 votos nulos.
Somados, brancos e nulos representam pouco menos de 6 milhões de votos — um contingente muito inferior ao número de pessoas que simplesmente não compareceram.
Número de ausentes chama atenção diante da diferença presidencial
A dimensão política da abstenção fica ainda mais evidente quando comparada ao resultado da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com cerca de 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva obteve aproximadamente 53,9 milhões, correspondentes a 45,16%.
A diferença entre os dois ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Isso significa que o universo de 33,4 milhões de eleitores ausentes foi cerca de 15 vezes maior que a diferença entre os dois candidatos que avançaram para o segundo turno.
Essa comparação não permite afirmar para quem esses eleitores votariam caso compareçam em 25 de outubro. Ela mostra, porém, o tamanho do contingente que ficou fora da decisão no primeiro turno.
TSE quer reduzir ausência no segundo turno
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende intensificar ações para tentar reduzir a abstenção no segundo turno.
Segundo o presidente da Corte, uma ausência próxima de 20% não é considerada ideal, e os mecanismos de estímulo ao comparecimento deverão ser aperfeiçoados até a votação de 25 de outubro.
O histórico recente mostra que uma redução entre os dois turnos é possível. Em 2022, a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para cerca de 20,6% no segundo.
Quem faltou no primeiro turno pode votar no segundo
A ausência no domingo não impede o eleitor de participar do segundo turno.
Pelas regras da Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente. Assim, quem não votou no primeiro turno pode comparecer normalmente em 25 de outubro, desde que esteja com o título em situação regular.
Para eleitores entre 18 e 70 anos, faixa em que o voto é obrigatório, a ausência precisa ser justificada nos casos previstos pela legislação eleitoral. O voto é facultativo para pessoas com 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas analfabetas.
Abstenção vira variável central para 25 de outubro
A eleição presidencial chega ao segundo turno com uma diferença inferior a dois pontos percentuais entre os dois primeiros colocados, enquanto mais de 21% do eleitorado não participou do primeiro turno.
Por isso, os números da Justiça Eleitoral colocam duas disputas simultâneas para as campanhas: convencer quem votou em outros candidatos e tentar ampliar o comparecimento de eleitores que ficaram fora da votação de domingo.
Não é possível tratar os ausentes como um bloco eleitoral homogêneo nem concluir que sua participação beneficiaria automaticamente qualquer candidatura.
O dado objetivo, entretanto, é expressivo: 33,4 milhões de brasileiros não participaram da escolha presidencial no primeiro turno — um contingente equivalente a mais de um quinto de todo o eleitorado do país.
Com a disputa presidencial separada por pouco mais de 2,2 milhões de votos na primeira etapa, o nível de participação no dia 25 de outubro será um dos indicadores mais importantes a serem acompanhados pela Justiça Eleitoral e pelas campanhas.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Agência Brasil.