O segundo mandato de Carlos Brasileiro começou em 2005 sem a condição de novidade que havia marcado sua chegada à prefeitura quatro anos antes.
Agora, o desafio era outro: transformar a reeleição em capacidade de continuidade e mostrar que o projeto político iniciado em 2001 poderia sobreviver ao desgaste natural de oito anos no poder.
Esse período ajuda a entender por que Brasileiro deixou a prefeitura em 2008 ainda como uma das principais lideranças políticas de Senhor do Bonfim e, anos depois, teria força suficiente para retornar ao cargo.
A continuidade de um projeto aprovado nas urnas
Brasileiro entrou no segundo mandato depois de ter vencido a eleição de 2004 com vantagem expressiva.
A reeleição lhe deu uma base política mais estável e a possibilidade de aprofundar políticas iniciadas no primeiro período.
Mas também elevou a cobrança.
Depois de quatro anos, problemas de infraestrutura, saneamento, estradas rurais, saúde e geração de emprego já não podiam ser atribuídos apenas ao passado administrativo.
O governo passou a ser avaliado pela capacidade de consolidar resultados e de resolver gargalos que permaneciam visíveis na cidade e no interior.
Políticas sociais ganharam reconhecimento externo
Um dos registros mais objetivos daquele ciclo aparece no histórico do Selo UNICEF.
Senhor do Bonfim foi certificado nas edições 2005–2006 e 2007–2008.
O reconhecimento do UNICEF não significa que todos os indicadores sociais do município estivessem resolvidos.
Ele mostra, porém, que o município cumpriu metas e compromissos relacionados às políticas para crianças e adolescentes dentro da metodologia adotada pelo programa naquele período.
Para uma administração que buscava associar sua identidade à educação, assistência e participação social, o resultado tinha peso político e institucional.
Educação virou uma marca reivindicada pela gestão
Anos depois, ao disputar novamente a prefeitura, Carlos Brasileiro usaria a educação como uma das principais referências de seus dois primeiros mandatos.
Em entrevista de 2016, afirmou que o município havia chegado ao terceiro lugar na Bahia em indicador educacional durante sua passagem anterior pela prefeitura.
Essa afirmação deve ser lida como uma declaração retrospectiva do próprio ex-prefeito, e não como avaliação independente desta série.
O que ela revela com segurança é que a educação permaneceu como um dos eixos centrais da narrativa política construída por Brasileiro sobre o período de 2001 a 2008.
Brasileiro tentou ampliar sua influência para além de Bonfim
Em 2007, já no ambiente político criado pela eleição de Jaques Wagner para o Governo da Bahia, Carlos Brasileiro disputou a presidência da União dos Municípios da Bahia, a UPB.
A candidatura colocou o prefeito de Senhor do Bonfim em uma disputa estadual de grande visibilidade.
Ele enfrentou Orlando Santiago, então prefeito de Santo Estêvão, em uma eleição apertada.
O resultado foi 179 votos para Orlando Santiago e 163 para Brasileiro.
A derrota não diminuiu a importância do movimento.
Para um prefeito de um município do interior, chegar a uma disputa tão equilibrada pelo comando da principal entidade municipalista da Bahia demonstrava capacidade de articulação muito além dos limites locais.
O episódio também revelou tensões partidárias e disputas internas que marcaram a reorganização do poder baiano naquele início de governo Wagner.
2008 mudou o desenho cultural do São João
O marco mais visível daquele fim de mandato talvez tenha sido a mudança do principal circuito junino.
Em 2008, o São João deixou de ter a Praça Nova do Congresso como seu centro principal e passou a ocupar o então recém-criado Parque da Cidade.
A mudança respondeu ao crescimento da festa e à necessidade de um espaço com maior capacidade para receber público, estrutura de palco e serviços.
Documentos da época registraram a construção das etapas do Parque da Cidade voltadas à área de shows.
A imprensa estadual também informou naquele ano que o Arraiá da Tapera passava a acontecer em um novo local denominado Parque da Cidade.
Mais de uma década depois, essa decisão ainda permanece como uma das transformações físicas mais lembradas na história recente do São João bonfinense.
Ela mudou o fluxo da festa, redistribuiu atividades e criou um novo eixo para os grandes shows.
O que avançou e o que continuou em aberto
A reconstrução dos registros daquele período mostra uma gestão com capacidade política, presença em programas sociais e investimentos em equipamentos públicos.
Ao mesmo tempo, Senhor do Bonfim continuava convivendo com problemas estruturais que atravessariam os governos seguintes.
Saneamento básico, urbanização de bairros periféricos, manutenção de estradas vicinais, atendimento de saúde e geração de emprego permaneceram na agenda pública.
Esse ponto é importante para evitar uma leitura simplista.
Uma gestão pode produzir avanços reais e, ainda assim, terminar sem resolver problemas que exigem investimentos muito superiores à capacidade financeira de um único mandato.
O fim de oito anos abriu espaço para uma nova liderança
Em 2008, Brasileiro não podia disputar novo mandato consecutivo.
A sucessão colocou fim ao ciclo de oito anos iniciado em 2001.
Paulo Batista Machado venceu a eleição municipal e assumiu a prefeitura em janeiro de 2009.
A mudança mostrou que o grupo político de Brasileiro não conseguiu converter automaticamente a força do prefeito em controle da sucessão.
Também abriu uma nova etapa na política local.
Paulo Machado chegava ao Executivo com perfil diferente, trajetória acadêmica e promessa de reorganizar prioridades administrativas.
O que ficou do segundo mandato
O período de 2005 a 2008 consolidou Carlos Brasileiro como liderança política regional e estadualizada dentro do PT baiano.
Também deixou símbolos concretos, como a transformação do espaço do São João e o reconhecimento do município em programas sociais.
Mas o fim do mandato mostrou uma característica que se repetiria na história política de Bonfim: popularidade pessoal não significa controle absoluto sobre a sucessão.
O governo terminou, o grupo perdeu a prefeitura e Brasileiro passou para uma nova fase de sua trajetória.
Oito anos depois, ele voltaria às urnas e retornaria ao cargo.
Antes disso, Senhor do Bonfim viveria dois governos muito diferentes: o de Paulo Machado e o de Edivaldo Martins Correia.
Fontes e documentos consultados
- UNICEF — histórico de municípios certificados pelo Selo UNICEF
- Cleber Vieira News — história do São João de Senhor do Bonfim e documentos de 2008
- A TARDE — disputa pela presidência da UPB em 2007
- Arquivo de blog — resultado da eleição da UPB em 2007
- RedeGN — entrevista de Carlos Brasileiro em 2016 com balanço retrospectivo
- Assembleia Legislativa da Bahia — trajetória política de Carlos Brasileiro