As Eleições 2026 mudaram o mapa de poder que cerca Senhor do Bonfim e já oferecem pistas sobre as alianças, apoios e disputas que podem chegar à eleição municipal de 2028.

O resultado não permite antecipar candidaturas nem transferir automaticamente votos de uma eleição para outra. Mas permite observar quais grupos locais passam a contar com aliados eleitos, quais perderam espaços e quais candidaturas proporcionais ganharam força política dentro do município.

Esquerda sai com as duas vagas da Bahia no Senado

O resultado mais claro para o campo da esquerda foi a eleição de Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, para as duas vagas da Bahia no Senado. Os dois também foram os mais votados para o cargo em Senhor do Bonfim.

Rui Costa terminou à frente na votação estadual, seguido por Wagner. A vitória dupla do PT amplia a representação institucional do grupo político que governa a Bahia e mantém dois nomes de peso nacional com capacidade de articulação no estado.

Para Senhor do Bonfim, isso significa que grupos locais alinhados ao PT e à base estadual chegam ao período pré-2028 com dois senadores eleitos e com forte conexão com o Governo da Bahia.

Elmar é reeleito e mantém um ativo importante para o grupo de Laércio

No campo da centro-direita, Elmar Nascimento, do União Brasil, foi reeleito deputado federal. O parlamentar é um dos principais aliados nacionais do grupo do prefeito Laércio Júnior e voltou a ter votação expressiva em Senhor do Bonfim.

Na parcial do Portal próxima do fechamento, Elmar tinha mais de 131 mil votos na Bahia. Em Senhor do Bonfim, sua votação cresceu na comparação com 2022, passando de 7.492 para 9.146 votos.

A reeleição mantém para o grupo governista local uma ponte direta com a Câmara dos Deputados. Politicamente, esse tipo de representação pesa não apenas pela votação, mas pela capacidade de articulação, acesso a ministérios, emendas, recursos e construção partidária.

A direita não levou nenhuma das duas vagas ao Senado na Bahia

O resultado do Senado também produz uma leitura inversa para a direita baiana. João Roma, do PL, e Angelo Coronel, do Republicanos, ficaram fora das duas vagas, apesar de terem recebido votações próximas e expressivas em Senhor do Bonfim.

No município, Roma teve 16.323 votos e Coronel 16.230. Os dois fizeram parte do conjunto de apoios declarados pelo prefeito Laércio Júnior em 2026.

Para 2028, isso não elimina a influência desses nomes, mas reduz o número de mandatos federais diretamente disponíveis ao campo político que os apoiou na disputa ao Senado.

Thiago Gilleno cresce e pode alterar o equilíbrio local

Outro nome que entra obrigatoriamente na leitura de 2028 é Dr. Thiago Gilleno, do Republicanos. Ligado localmente ao campo político do vereador Weslen Aquino, Gilleno ultrapassava 113 mil votos para deputado estadual na reta final da apuração e estava entre os candidatos mais votados da Bahia.

Em Senhor do Bonfim, Gilleno recebeu 5.032 votos. Em Ponto Novo, teve 9.906 votos, mais de 82% dos votos válidos para deputado estadual no município.

No momento de fechamento desta análise, porém, a Justiça Eleitoral ainda não havia preenchido na base oficial consultada pelo Portal o status final de eleito para Gilleno. Por isso, o Portal trata sua votação como fortalecimento político, não como mandato oficialmente confirmado.

Bobô mantém presença forte no eleitorado bonfinense

No campo da esquerda regional, Bobô, do PCdoB, também saiu das urnas com votação relevante. Ele recebeu 11.072 votos em Senhor do Bonfim, o maior total entre os candidatos a deputado estadual vinculados diretamente ao município na série regional do Portal.

Na Bahia, aproximava-se de 70 mil votos. Assim como no caso de Gilleno e de outros candidatos proporcionais, o status definitivo dependia do fechamento da distribuição das vagas quando esta matéria foi publicada.

Mesmo antes da definição formal, a votação coloca Bobô como um ativo político importante para a esquerda local e regional na construção de 2028.

Junior Nascimento também amplia sua votação

Junior Nascimento, do União Brasil, apoiado pelo grupo do prefeito Laércio Júnior, também melhorou seu desempenho em Senhor do Bonfim. Passou de 5.092 votos em 2022 para 6.615 em 2026.

No estado, superava 71 mil votos na reta final da apuração. Sua situação proporcional ainda não estava oficialmente fechada na base utilizada pelo Portal no momento desta análise.

2028 tende a ser disputado por redes de apoio, não apenas por partidos

Os resultados de 2026 mostram que a sucessão municipal não deverá ser explicada apenas pela divisão tradicional entre direita e esquerda.

O grupo de Laércio Júnior preserva a relação com Elmar Nascimento, reeleito deputado federal, e mantém bases eleitorais ligadas a Junior Nascimento, ACM Neto, João Roma e Angelo Coronel.

Weslen Aquino, por sua vez, ganha um indicador importante com a votação de Thiago Gilleno, candidato associado ao seu campo político local.

A esquerda mantém musculatura institucional com Rui Costa e Jaques Wagner no Senado e forte votação local de nomes como Bobô, além da estrutura política vinculada ao governo estadual.

Eleição de deputado não é pesquisa para prefeito

Há uma cautela fundamental nessa leitura: os votos recebidos por Elmar, Gilleno, Bobô, Junior, Rui ou Wagner não pertencem automaticamente às lideranças municipais que os apoiaram.

Em 2028, o eleitor avaliará outros fatores: candidatos apresentados, avaliação da Prefeitura, alianças, vice, desempenho do governo estadual e federal, conjuntura econômica e temas específicos de Senhor do Bonfim.

Os números de 2026 funcionam, portanto, como medida de capacidade de articulação e mobilização, não como previsão de resultado municipal.

O novo tabuleiro de Senhor do Bonfim

O saldo desta eleição é que nenhum campo chega vazio a 2028.

A esquerda sai da eleição com duas cadeiras no Senado e forte conexão com o Governo da Bahia. A centro-direita mantém Elmar Nascimento na Câmara e preserva estrutura municipal relevante. Ao mesmo tempo, candidaturas como a de Thiago Gilleno criam novos polos de influência que podem alterar a disputa tradicional.

As três análises publicadas pelo Portal ajudam a completar esse mapa: o termômetro entre os grupos de Eliseu Rios e Weslen Aquino, o desempenho dos candidatos apoiados por Laércio Júnior e o resultado dos 14 candidatos ligados ao Piemonte.

Até 2028, o Portal seguirá acompanhando não apenas declarações de candidatura, mas também alianças, partidos, mandatos, votações e capacidade real de organização de cada grupo.

Fontes: resultados oficiais da Justiça Eleitoral integrados à página Eleições 2026 do Portal do Piemonte e cobertura nacional da apuração. Rui Costa e Jaques Wagner foram declarados eleitos ao Senado; Elmar Nascimento foi reeleito deputado federal. As situações proporcionais ainda pendentes foram tratadas como parciais.