Gilmar se manifestou sobre o assunto em 7 de agosto, depois que Gaspar afirmou esperar imparcialidade do ministro apesar de acreditar que o magistrado não gostava dele. Questionado, Gilmar respondeu que não conhece o deputado.

O ponto mais relevante, porém, está no andamento jurídico do caso. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a Polícia Federal solicitou ao STF, em abril, autorização para investigar Gaspar. Gilmar pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República, mas a PGR solicitou diligências adicionais antes de se posicionar.

Ainda não há decisão sobre abertura de inquérito

Até esta terça-feira, 11 de agosto, a abertura do inquérito ainda dependia da conclusão das providências solicitadas e de nova manifestação da PGR.

A representação que deu origem ao caso foi apresentada à Polícia Federal pelo deputado Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke. Os dois solicitaram investigação sobre um relato que atribui a Gaspar abuso sexual contra uma adolescente que teria 13 anos à época dos fatos.

A acusação não está comprovada.

Gaspar nega ter cometido estupro e sustenta que a história divulgada estaria relacionada a um primo. O parlamentar também disponibilizou material genético e defende a realização de exames que, segundo ele, poderão afastar qualquer vínculo com a criança mencionada na denúncia.

Por isso, não é correto tratar Gaspar como autor de um crime nem afirmar que existe investigação formal já aberta sem esclarecer o atual estágio processual.

Novo depoimento aumenta disputa entre os envolvidos

Outro elemento chegou ao STF nesta semana. A Câmara dos Deputados encaminhou à Corte um depoimento prestado à Polícia Legislativa por um homem que afirma ter informações sobre uma suposta armação contra Gaspar.

O relato menciona pagamentos que teriam sido realizados para sustentar uma acusação falsa. Parte das afirmações é contestada. Lindbergh Farias afirma que as acusações contra ele são falsas, enquanto a defesa de outro citado no depoimento também nega envolvimento. A própria documentação disponível não comprova integralmente todos os valores alegados pelo depoente.

Esse novo relato, portanto, também deve ser tratado como objeto de investigação, e não como comprovação de que houve uma armação.

Disputa ganha peso eleitoral

A repercussão aumentou depois que Alfredo Gaspar foi escolhido para integrar como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.

O caso passa, assim, a reunir duas dimensões distintas: uma jurídica, que depende do trabalho da PF, PGR e STF; e outra eleitoral, marcada por acusações e reações entre parlamentares de campos políticos adversários.

Misturar essas duas dimensões sem informar o estágio do processo pode induzir o leitor a interpretar uma suspeita como condenação.