O uso de inteligência artificial generativa por estudantes já é permitido em 52% das escolas brasileiras no ensino médio, segundo dados da TIC Educação 2025. Apesar da rápida entrada da tecnologia no ambiente escolar, somente 22% dos gestores disseram que suas instituições possuem um guia formal com orientações sobre o uso de IA.
Os dados mostram que a discussão deixou de ser apenas sobre proibir ou liberar ferramentas como chatbots e geradores de texto. O principal desafio passou a ser definir como usar, em quais atividades, com qual supervisão e quais dados podem ou não ser enviados para essas plataformas.
Uso cresce conforme a etapa de ensino
A pesquisa indica que a permissão é maior nas séries mais avançadas. No conjunto das escolas, o uso por alunos é autorizado em 26% até o 5º ano, 42% até o 9º ano e 52% no ensino médio.
Também há diferenças entre redes: 47% das escolas estaduais permitem o uso, contra 35% das municipais e 31% das particulares, segundo os dados divulgados a partir da TIC Educação.
O risco de a ferramenta fazer o trabalho pelo aluno
Especialistas ouvidos no debate nacional chamam atenção para o chamado descarregamento cognitivo: quando a ferramenta passa a executar etapas que deveriam desenvolver leitura, escrita, interpretação, memória, argumentação e resolução de problemas.
O problema não está apenas em obter uma resposta pronta. Sistemas de IA também podem produzir informações incorretas, reproduzir vieses ou receber dados pessoais e escolares que não deveriam ser compartilhados com serviços externos.
O que muda para escolas do Piemonte
Os números da TIC Educação são nacionais e não permitem afirmar que 52% das escolas do Piemonte tenham o mesmo comportamento. Para Senhor do Bonfim, Campo Formoso, Jaguarari e os demais municípios da região, a pauta passa a ser outra: cada rede e cada escola já definiu suas próprias regras?
Uma política local pode esclarecer, por exemplo, quando o estudante pode usar IA, quando deve declarar esse uso, quais atividades precisam ser feitas sem auxílio automatizado, como professores podem empregar as ferramentas e quais dados jamais devem ser inseridos em plataformas externas.
As novas orientações educacionais em discussão no país reforçam a mediação docente, a proteção de dados e a necessidade de preservar autonomia intelectual e pensamento crítico. O Portal pretende ampliar essa pauta ouvindo escolas públicas e privadas do Piemonte para mapear como a região está lidando com a tecnologia.
Fonte principal: TIC Educação 2025, dados repercutidos no debate nacional sobre governança de IA nas escolas.