Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal apura a atuação de uma rede extremista que discutia ações violentas em Brasília durante as eleições de 2026 e difundia conteúdo neonazista, antissemita e misógino pela internet. A Operação Rede Interrompida, deflagrada em 4 de agosto, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, integrantes utilizavam comunidades no Telegram para recrutar participantes, divulgar discursos de ódio e discutir o planejamento de atos violentos. A investigação encontrou ainda compartilhamento de manuais para fabricação de artefatos explosivos.

Planalto, STF e debate eleitoral aparecem na investigação

A nota oficial do Ministério da Justiça afirma que a rede planejava atacar prédios da Esplanada dos Ministérios em outubro, durante o período eleitoral. Informações atribuídas à PCDF em coletiva de imprensa detalharam posteriormente os possíveis alvos.

De acordo com o UOL e o Metrópoles, os investigadores identificaram mapas da região central de Brasília e referências ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. A planta baixa do Palácio do Planalto também teria sido acessada e compartilhada, sendo o edifício apontado nas apurações como um dos alvos prioritários.

Reportagens publicadas após a exibição de novos detalhes pelo Fantástico, em 9 de agosto, também apontam mensagens em que integrantes discutiam explodir o prédio onde fosse realizado um debate entre candidatos que chegassem ao segundo turno da eleição presidencial.

O Tribunal Superior Eleitoral marcou o primeiro turno das eleições gerais para 4 de outubro de 2026. Se necessário, o segundo turno para presidente e governadores ocorrerá em 25 de outubro.

Mapas, plantas e material sobre explosivos

O Ministério da Justiça confirmou que as comunicações analisadas envolviam recrutamento e compartilhamento de instruções sobre fabricação de explosivos. Outras informações atribuídas à investigação indicam que circulavam mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios de Brasília.

A Polícia Civil busca agora determinar o grau de organização dos investigados, qual era o estágio efetivo dos preparativos e se havia outras pessoas ligadas à rede. A responsabilização individual depende da perícia nos equipamentos e demais materiais apreendidos.

Esse cuidado é importante: a existência de conversas, mapas e manuais constitui material relevante para a investigação, mas não significa que os ataques tenham sido executados nem permite tratar todos os investigados como culpados antes da conclusão do inquérito e de eventual processo judicial.

Conteúdo neonazista e crimes investigados

O Ministério da Justiça caracteriza o ambiente investigado como uma rede que disseminava conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. Por precisão, isso não significa que já exista decisão judicial definindo todos os participantes individualmente como integrantes de uma organização neonazista.

No Brasil, a Lei nº 7.716 criminaliza a prática e a incitação de discriminação racial e também pune a distribuição ou divulgação de símbolos e propaganda com a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.

Segundo informações atribuídas à PCDF, o inquérito apura, em tese, crimes como associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime e delitos previstos na legislação antirracismo.

Caso ainda não foi enquadrado como terrorismo

Apesar de várias reportagens utilizarem expressões como “atentado” ou “plano terrorista”, a Polícia Civil informou que, nesta etapa, os fatos não foram enquadrados na Lei Antiterrorismo.

A Lei nº 13.260 estabelece requisitos específicos para a caracterização jurídica do terrorismo. Por isso, cabe às autoridades responsáveis pela investigação, ao Ministério Público e, posteriormente, ao Judiciário definir a tipificação aplicável às condutas concretamente comprovadas.

Segurança eleitoral foi reforçada em Brasília

Após a descoberta do plano, o Distrito Federal antecipou a instalação de uma célula integrada de inteligência destinada ao acompanhamento das eleições. Segundo a CNN Brasil, representantes de 22 órgãos federais e distritais participaram da articulação, que deverá funcionar durante o processo eleitoral.

A medida busca ampliar o intercâmbio de informações e permitir reação coordenada diante de ameaças que possam afetar a segurança de Brasília ou a normalidade das eleições.