A presença da mineração em Andorinha voltou a ganhar destaque em 2026 com estudos técnicos realizados nas áreas de exploração de cromita da Companhia de Ferro Ligas da Bahia, a Ferbasa.

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil, da Universidade Federal Rural de Pernambuco e de outras instituições visitaram, entre 30 de março e 3 de abril, áreas de mineração localizadas em Andorinha e Campo Formoso. O trabalho analisou solos e resíduos associados à exploração da cromita, principal minério de cromo utilizado pela companhia.

A atividade mostra que a mineração existente no município possui importância não apenas empresarial, mas também científica, econômica e ambiental.

Para a população, porém, a pergunta central continua sendo outra: quanto da riqueza retirada do território permanece em Andorinha?

A resposta deve considerar diferentes fontes. Uma delas é a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, a CFEM, conhecida como royalty da mineração.

Os municípios produtores recebem parte dos valores recolhidos pelas empresas, mas esses recursos não devem ser tratados como receita comum sem identificação. A população precisa conhecer quanto entrou no caixa municipal, quais secretarias utilizaram o dinheiro e quais obras ou serviços foram financiados.

Também é necessário avaliar a arrecadação de impostos municipais, especialmente o Imposto Sobre Serviços, além das compras realizadas pelas mineradoras junto a empresas instaladas no município.

Uma operação mineral pode gerar receita elevada sem produzir o mesmo efeito sobre o comércio local quando equipamentos, serviços e fornecedores são contratados em outras regiões.

Por isso, a análise econômica não deve se limitar ao número de empregos diretos divulgados pelas empresas. É preciso medir salários, terceirizações, contratação de moradores, participação de fornecedores locais e oportunidades de formação profissional.

Outro ponto importante é a utilização da CFEM. A legislação impede que esses recursos sejam empregados no pagamento permanente de dívidas ou no quadro efetivo de pessoal, com exceções específicas previstas em lei. A prioridade deve ser a diversificação econômica, a infraestrutura, a proteção ambiental e a melhoria das condições de vida da população.

Essa destinação é estratégica porque a mineração depende de recursos naturais finitos. Quando a produção diminuir ou uma mina encerrar suas atividades, o município poderá enfrentar perda de arrecadação e redução de empregos.

Investir parte da receita mineral em agricultura, comércio, pequenas empresas, educação profissional e infraestrutura ajuda a reduzir essa dependência.

A fiscalização também deve alcançar os impactos ambientais. O estudo realizado em 2026 procura avaliar possibilidades de monitoramento, economia circular, aproveitamento de resíduos e uso sustentável dos recursos minerais.

Esses resultados precisam chegar ao debate público. Moradores das comunidades próximas às operações devem receber informações sobre qualidade da água, poeira, trânsito de veículos pesados, recuperação de áreas e destinação dos rejeitos.

A Câmara Municipal possui papel importante nesse processo. Os vereadores podem solicitar relatórios sobre arrecadação, promover audiências públicas, acompanhar licenças e cobrar a identificação dos investimentos financiados com recursos da mineração.

A Prefeitura, por sua vez, deve publicar um demonstrativo específico com os valores recebidos, as fontes pagadoras e as despesas relacionadas à CFEM.

Sem essa prestação de contas, a população sabe que a mineração produz riqueza, mas não consegue medir quanto dessa riqueza efetivamente se transforma em serviços e desenvolvimento para Andorinha.