Paulo Batista Machado assumiu a Prefeitura de Senhor do Bonfim em janeiro de 2009 depois de vencer a sucessão de Carlos Brasileiro.
Professor da Universidade do Estado da Bahia, mestre, doutor e pesquisador da área de educação, ele chegou ao Executivo com um perfil fortemente associado ao planejamento e ao debate acadêmico sobre desenvolvimento local.
Na prática, o mandato mostrou a diferença entre formular diagnósticos e administrar uma cidade submetida a restrições de receita, pressões políticas e problemas acumulados.
Uma gestão que falava em planejamento estrutural
Documentos e textos publicados pelo próprio Paulo Machado naquele período mostram uma preocupação recorrente com infraestrutura, desenvolvimento econômico e organização territorial.
Em texto de 2010, ele retomou diagnósticos que apontavam carências em estradas vicinais, saneamento, urbanização periférica e integração econômica regional.
Essa visão reapareceria no discurso de governo e, mais tarde, na campanha de reeleição.
Em entrevista concedida à Bonfim News em 2012, Paulo afirmou que havia conseguido executar cerca de 70% do plano de governo.
A declaração era uma avaliação do próprio prefeito e deve ser lida como tal.
Na mesma entrevista, ele reconheceu que Senhor do Bonfim continuava com problemas graves de infraestrutura, saneamento e estradas.
Obras e convênios deixaram marcas espalhadas pelo município
Registros do Diário Oficial da União confirmam convênios e investimentos no período.
Em dezembro de 2009, foi formalizado convênio para implantação de uma quadra poliesportiva coberta no povoado de Passagem Velha.
O valor registrado era de R$ 156,5 mil, sendo R$ 150 mil de recursos federais e R$ 6,5 mil de contrapartida.
Em 2010, a prefeitura também homologou aquisição de computadores, impressoras, móveis e outros equipamentos para escolas municipais.
Na infraestrutura urbana, arquivos locais registram pavimentações, como a Rua Gilberto Gil, no Alto do Cigano, inaugurada em junho de 2010.
Durante a campanha de 2012, a gestão também apresentava intervenções em bairros como Vila Bela e anunciava novas pavimentações e urbanizações.
Organização do mototáxi virou uma política visível
Outra iniciativa que marcou o período foi a regulamentação e padronização do serviço de mototáxi.
O processo ganhou força depois da legislação federal de 2009 que regulamentou a atividade.
Em 2010, registros locais destacavam a identificação dos veículos, exigências documentais e critérios para o exercício da profissão.
Para uma cidade onde a motocicleta já tinha forte presença no deslocamento urbano, a medida teve efeito cotidiano e permaneceu como referência nos anos seguintes.
Saúde e educação avançaram, mas continuaram sob cobrança
O próprio prefeito reconhecia que a infraestrutura de saúde e educação ainda exigia investimentos maiores.
Convênios do período registram aquisição de equipamentos para unidades básicas de saúde e continuidade de projetos pactuados com o Ministério da Saúde.
Ao mesmo tempo, o debate público continuava marcado por dificuldades de atendimento, acesso a exames e necessidade de ampliar a rede física.
Na educação, Paulo Machado tinha uma ligação profissional anterior com a área e buscou incorporar esse repertório ao governo.
Mas a administração municipal não conseguiu transformar essa identidade acadêmica em consenso político sobre o desempenho da rede.
O governo dizia enfrentar escassez de recursos
Na entrevista de 2012, Paulo Machado afirmou que sua gestão havia trabalhado com forte limitação financeira.
Ele comparou o volume de recursos federais disponíveis no governo Lula com o início do governo Dilma e disse que a prefeitura encontrou dificuldade para financiar projetos mais ambiciosos.
Essa justificativa ajuda a entender o discurso administrativo, mas não elimina a responsabilidade política do prefeito pelos resultados percebidos pela população.
Em uma eleição municipal, o eleitor julga o que foi entregue, independentemente de a origem do problema estar no município, no Estado ou na União.
A campanha de 2012 mostrou confiança que as urnas não confirmaram
Paulo Machado disputou a reeleição em 2012.
O Blog do Bamberg preserva uma quantidade importante de registros daquela campanha, incluindo caminhadas, comícios, agendas e materiais produzidos pela coligação.
Os textos de campanha apresentavam o prefeito como favorito e destacavam obras realizadas em bairros e comunidades.
O resultado das urnas, porém, foi muito diferente do ambiente descrito pela propaganda eleitoral.
Edivaldo Martins Correia venceu com 18.353 votos.
Carlos Brasileiro ficou em segundo lugar, com 15.276.
Paulo Machado terminou em terceiro, com apenas 3.371 votos.
O resultado representou uma perda muito grande de capital eleitoral para um prefeito que estava no exercício do cargo.
Por que o desgaste foi tão forte?
Não existe uma única explicação documentável para uma derrota desse tamanho.
Ela pode ser lida como combinação de desgaste administrativo, fragmentação política, retorno de Carlos Brasileiro à disputa e crescimento de uma candidatura de oposição liderada por Dr. Correia.
Também pesou a distância entre a narrativa oficial de realizações e a percepção de parte do eleitorado sobre problemas ainda presentes na cidade.
A eleição de 2012 mostrou que anunciar obras e apresentar um plano técnico não bastam quando o governo perde conexão política com a maioria dos eleitores.
O que ficou da gestão Paulo Machado
O mandato deixou intervenções urbanas, projetos em educação, convênios de saúde e esporte e uma tentativa explícita de organizar políticas públicas a partir de planejamento.
Também deixou experiências administrativas que governos seguintes herdariam ou concluiriam.
Ao mesmo tempo, a derrota eleitoral tornou-se uma das marcas mais fortes do fim do período.
Paulo Machado saiu da prefeitura com uma votação muito inferior àquela necessária para permanecer competitivo na sucessão.
Seu governo é um exemplo de como uma administração pode possuir projetos e obras documentadas e, ainda assim, chegar ao fim sem aprovação eleitoral suficiente para continuar.
O capítulo seguinte começaria justamente com o candidato que capturou essa insatisfação: Edivaldo Martins Correia.
Fontes e documentos consultados
- Blog do Bamberg — entrevista de Paulo Machado à Bonfim News em 2012
- Blog do Bamberg — registros da campanha e obras apresentadas em 2012
- Diário Oficial da União — convênio da quadra de Passagem Velha
- Diário Oficial da União — aquisição de equipamentos para escolas municipais
- Arquivo de 2010 — padronização do serviço de mototáxi
- Internet News — registros locais da gestão em 2010
- ALBA — resultados oficiais das eleições municipais de 2012