A vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu diante de três adversários nas simulações de segundo turno da mais recente pesquisa PoderData. O levantamento, realizado entre 9 e 12 de agosto, mostra Lula tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Contra Renan Santos (Missão), o presidente mantém uma vantagem de nove pontos percentuais.
No confronto com Flávio, Lula aparece com 46%, contra 45% do senador. Contra Caiado, o placar é de 45% a 44%. Diante de Zema, Lula tem 45% contra 43%. Já contra Renan Santos, o resultado é de 46% a 37%.
A pesquisa ouviu 2.400 eleitores em 658 municípios das 27 unidades da Federação por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06868/2026. O PoderData pertence ao grupo Poder360, e a rodada tem parceria de divulgação com o Aya Bancah.
Distância caiu, mas empate técnico já existia em maio
A comparação com maio mostra uma aproximação numérica dos adversários, mas exige uma ressalva importante.
Na pesquisa realizada entre 25 e 28 de maio, Lula tinha 46% contra 42% de Flávio Bolsonaro, diferença de quatro pontos. Contra Caiado, eram 45% a 41%; o mesmo placar aparecia diante de Zema. Contra Renan, Lula marcava 45% a 36%, nove pontos de vantagem.
Agora, a diferença caiu para um ponto contra Flávio e Caiado e dois contra Zema. Contra Renan, permaneceu em nove.
Apesar dessa redução, os confrontos com Flávio, Caiado e Zema já eram considerados tecnicamente empatados em maio, por causa da margem de erro de dois pontos.
Portanto, o fato novo não é a entrada dos três adversários em empate técnico com Lula, mas o fato de que a vantagem numérica do presidente ficou ainda menor.
Outro detalhe ajuda a interpretar o movimento: nos quatro confrontos comparáveis, Lula praticamente não perdeu pontos. O presidente passou de 46% para 46% contra Flávio, manteve 45% diante de Caiado e Zema e foi de 45% para 46% contra Renan. A redução das diferenças ocorreu principalmente porque Flávio, Caiado e Zema cresceram numericamente.
Primeiro turno ainda tem Lula na frente
No cenário de primeiro turno, o PoderData mantém Lula na liderança.
O presidente aparece com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Caiado e Renan têm 4% cada; Zema e Augusto Cury (Avante), 3% cada.
O levantamento também identifica diferenças relevantes por região. Lula alcança 53% no Nordeste no recorte divulgado pelo instituto, enquanto Flávio apresenta seus melhores resultados no Sul e no Centro-Oeste, também com 53% em cada região.
Lulômetro registra piora na avaliação do governo
A aproximação eleitoral ocorre no mesmo período em que outro indicador registrou deterioração na avaliação do governo.
No Lulômetro, tracking diário realizado por O Antagonista e Real Time Big Data, 37% avaliavam o governo como ruim ou péssimo em 12 de agosto, enquanto 30% o classificavam como ótimo ou bom. Outros 32% consideravam a gestão regular.
Em 31 de julho, as avaliações positiva e negativa estavam empatadas em 35%. Assim, ao longo dos primeiros dias de agosto, o grupo que classifica o governo como ruim ou péssimo aumentou dois pontos, enquanto ótimo ou bom recuou cinco.
O Lulômetro trabalha com 400 entrevistas por jornada, distribuídas segundo características demográficas previamente estabelecidas.
Os dois levantamentos, porém, não medem a mesma coisa. O PoderData pergunta sobre intenção de voto; o Lulômetro acompanha avaliação do governo. Por isso, os resultados podem ser observados em conjunto como sinais do ambiente político, mas não permitem estabelecer uma relação automática de causa e efeito.
Outros institutos mostram diferenças maiores
Também não é possível concluir, com base apenas no PoderData, que todos os levantamentos apontem uma disputa de segundo turno com apenas um ou dois pontos de diferença.
A CNT/MDA, divulgada em 11 de agosto, por exemplo, registrou 48% para Lula e 39,1% para Flávio Bolsonaro. Contra Caiado, o resultado foi 47,9% a 35,9%; contra Zema, 49,1% a 34,9%; e contra Renan, 48,5% a 33%.
Já a Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto mostrou Lula com 44% contra 39% de Flávio. A diferença era de oito pontos contra Caiado, 12 contra Zema e dez contra Renan.
As diferenças entre institutos não significam necessariamente que uma pesquisa esteja certa e outra errada. Amostragem, método de entrevista, período de campo e questionário podem produzir retratos distintos da mesma eleição.
Quem ainda pode crescer mais?
Os dados disponíveis não permitem apontar um candidato que inevitavelmente tenha maior potencial de crescimento.
Renan Santos apresenta, por exemplo, espaço para aumentar seu nível de conhecimento: na Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto, 65% dos entrevistados disseram não conhecê-lo. O desconhecimento era de 49% para Zema e 44% para Caiado.
Mas desconhecimento não é sinônimo de voto potencial. À medida que um candidato fica mais conhecido, podem crescer tanto a intenção de voto quanto a rejeição.
Flávio Bolsonaro parte de situação diferente: já aparece consolidado em segundo lugar nas pesquisas de primeiro turno e, no PoderData, chegou a 45% em uma simulação direta contra Lula.
Com o início oficial da campanha, propaganda eleitoral, debates e maior exposição dos candidatos, a disputa entra agora em uma fase em que essa capacidade de expansão começará a ser testada diante do eleitorado.
FONTES E APURAÇÃO
- PoderData — rodada de 9 a 12 de agosto: 2.400 entrevistas, margem de erro de dois pontos, registro TSE BR-06868/2026.
- PoderData — relatório integral de 25 a 28 de maio: utilizado para comparar os mesmos cenários de segundo turno; registro BR-04882/2026.
- O Antagonista/Real Time Big Data: Lulômetro de 12 de agosto e metodologia do tracking diário.
- Genial/Quaest: pesquisa divulgada em 5 de agosto, usada como contraponto e para os índices de desconhecimento dos candidatos.
- CNT/MDA: levantamento divulgado em 11 de agosto, usado para contextualizar diferenças entre pesquisas.