O PT respondeu pela maior parcela do valor: R$ 747.514, distribuídos entre 951 publicações patrocinadas. O perfil de Lula registrou outros R$ 263.144 em 723 anúncios no mesmo intervalo. Somados, são 1.674 impulsionamentos.

Segundo o levantamento, Lula intensificou os investimentos na etapa final do período analisado. Entre 29 de julho e 4 de agosto, o perfil presidencial concentrou R$ 226.245 em impulsionamentos.

Outros presidenciáveis também investiram

A publicidade paga não ficou restrita ao campo governista.

Nos 30 dias analisados, Ronaldo Caiado registrou R$ 446.008 em anúncios, enquanto Renan Santos teve R$ 70.584, Augusto Cury R$ 33.482 e Romeu Zema R$ 25.778. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, desembolsou R$ 491.491 em impulsionamentos no período, embora o perfil pessoal de Flávio não tenha registrado gastos na janela analisada.

Os números ajudam a mostrar a dimensão que a disputa digital ganhou antes mesmo do início formal da campanha.

Anunciar antes de 16 de agosto é necessariamente irregular?

Não.

O Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. A regra, porém, não significa proibição completa de atividade política paga na internet antes da data.

De acordo com o próprio TSE, o impulsionamento pago de conteúdo político-eleitoral pode ocorrer na pré-campanha, desde que seja contratado diretamente com a plataforma por partido, federação ou pessoa que pretenda se candidatar, seja identificado como conteúdo impulsionado, não contenha pedido explícito de voto e tenha gastos moderados, proporcionais e transparentes.

Isso significa que o valor registrado na biblioteca da Meta, isoladamente, não comprova propaganda eleitoral antecipada irregular. Para determinar eventual infração, seria necessário analisar os anúncios individualmente e verificar conteúdo, responsável pelo pagamento, identificação e forma de contratação.

Não há base para chamar todo o valor de gasto público

Outro cuidado importante envolve a origem do dinheiro.

O levantamento informa quanto os perfis gastaram na Meta, mas não demonstra, por si só, de qual fonte financeira saiu cada pagamento. Por isso, o Portal do Piemonte não adotou o enquadramento de “gastos públicos” para os R$ 1,01 milhão.

Partidos e candidatos podem financiar despesas eleitorais por diferentes fontes previstas na legislação. Recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, por exemplo, podem legalmente custear impulsionamento na internet, mas estão sujeitos a regras de transparência e prestação de contas.

Para afirmar que determinado anúncio foi bancado por dinheiro público, é necessário rastrear a fonte utilizada.