O desempenho do PT nas Eleições 2026 não cabe numa leitura simples de “ganhou” ou “perdeu”. Em algumas casas legislativas, o partido preservou espaço ou até cresceu. Em outras, perdeu nomes importantes e viu adversários ampliarem vantagem.

O quadro geral mostra uma diferença entre perda absoluta de cadeiras, perda de nomes estratégicos e perda de peso relativo. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, o PT aparece com mais cadeiras do que em 2022, mas o PL cresce muito mais e abre uma distância de 50 deputados no quadro parcial acompanhado pelo Portal.

Na Câmara, o PT cresce dois; o PL cresce 21

No quadro de 98,62% das urnas apuradas usado pelo Portal, o PT aparece com 70 deputados, contra 68 na comparação com 2022.

Portanto, não há perda absoluta de cadeiras nesse recorte.

O problema para o partido está no peso relativo. O PL passa de 99 para 120 deputados, ganho de 21 cadeiras. Assim, a diferença entre as duas maiores bancadas chega a 50 deputados.

Isso altera a correlação de forças na Câmara mesmo sem redução numérica do PT. O partido mantém uma bancada grande, mas passa a negociar num ambiente em que a principal legenda adversária chega muito maior.

Senado mistura vitórias importantes e derrotas simbólicas

No Senado, o resultado do PT foi mais desigual.

Na Bahia, o partido teve uma de suas maiores vitórias nacionais: Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas em disputa. Em Sergipe, Rogério Carvalho foi reeleito. Em Minas Gerais, Marília Campos conquistou uma cadeira. No Rio Grande do Norte, Samanda de Lula também foi eleita.

Ao mesmo tempo, o partido perdeu nomes relevantes.

No Amapá, Randolfe Rodrigues não conseguiu a reeleição após permanecer no Senado desde 2010. As vagas ficaram com Rayssa Furlan, do Podemos, e Lucas Barreto, do PSD.

No Rio Grande do Sul, o PT ficou fora das duas vagas. Marcel van Hattem, do Novo, e Sanderson, do PL, foram eleitos. Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila, candidatos ligados ao campo petista, não conquistaram mandato.

Perder um senador não é igual a perder uma bancada

No caso do Senado, a leitura precisa considerar que apenas dois terços das 81 cadeiras estavam em disputa em 2026. Parte dos senadores do partido permanece no mandato sem ter concorrido neste ano.

Por isso, dizer que o PT “perdeu o Senado” seria incorreto. O que ocorreu foi uma combinação de vitórias relevantes em alguns estados e derrotas importantes em outros.

A perda de Randolfe tem peso político particular porque ele ocupava posição de destaque na articulação do governo no Congresso.

São Paulo mostra recuo na Assembleia

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, o PT elegeu 17 deputados estaduais em 2026.

Em 2022, havia eleito 18.

A redução é pequena em números absolutos, mas ocorre num estado em que o PL chegou a 24 cadeiras e a base do governador Tarcísio de Freitas passou a controlar ampla maioria da Casa.

O partido, portanto, mantém uma bancada relevante, mas com menor capacidade relativa diante do crescimento do campo governista.

Perdas estaduais não aconteceram da mesma forma em todo o país

Não existe um único padrão nacional para as assembleias legislativas.

Em alguns estados, o PT manteve ou ampliou representação; em outros, perdeu cadeiras ou passou a dividir espaço com bancadas maiores de partidos de direita e centro-direita.

Por isso, a análise correta não é afirmar que o partido encolheu em todas as assembleias, mas observar onde perdeu número de cadeiras e onde perdeu capacidade de influência mesmo sem redução absoluta.

O maior problema é a distância para bancadas adversárias

A principal dificuldade do PT depois de 2026 não está apenas no número de cadeiras que perdeu.

Está no fato de que adversários cresceram mais em espaços decisivos.

Na Câmara, o PT cresce dois deputados, mas o PL cresce 21. Em São Paulo, o partido cai uma cadeira enquanto o campo governista chega com uma maioria muito mais ampla. No Senado, derrotas como a de Randolfe e o resultado gaúcho retiram nomes importantes da articulação petista.

Bahia funciona como contraponto

A Bahia oferece o exemplo oposto.

O PT conquistou as duas cadeiras do Senado com Rui Costa e Jaques Wagner. O resultado reforça a presença do partido no estado e contrasta com derrotas em outras regiões.

Esse desempenho mostra por que uma leitura nacional precisa separar estados e cargos. O partido perdeu espaço em alguns territórios ao mesmo tempo em que consolidou força em outros.

O que muda para o próximo governo

Para qualquer governo federal, o tamanho das bancadas importa porque determina a quantidade de votos disponíveis para projetos de lei, medidas provisórias, emendas constitucionais, orçamento e presidências de comissões.

Se o PT estiver no Executivo, precisará construir maioria muito além de sua própria bancada. O mesmo vale para qualquer outro partido: nenhuma legenda isoladamente se aproxima dos 257 votos necessários para maioria absoluta na Câmara.

O efeito prático das Eleições 2026, portanto, é uma Câmara mais desequilibrada em favor do PL e um Senado com disputas estaduais que produziram ganhos e perdas relevantes para o PT.

Não houve queda uniforme

O resumo mais preciso é este: o PT não perdeu em todas as bancadas.

Na Câmara, cresceu ligeiramente. Na Bahia, conquistou as duas vagas do Senado. Em outros estados, porém, sofreu derrotas importantes e perdeu nomes estratégicos. Em assembleias como a de São Paulo, reduziu representação e viu adversários ampliarem maioria.

Por isso, a eleição de 2026 deve ser lida menos como um recuo uniforme e mais como uma perda de peso relativo em espaços-chave.

Leia também a análise sobre como a Câmara foi redesenhada pelas Eleições 2026 e acompanhe a cobertura completa na página especial Eleições 2026.

Fontes: resultados oficiais da Justiça Eleitoral e dados divulgados por Senado Notícias, Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa de São Paulo e cobertura eleitoral nacional.