O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que será recebido nesta terça-feira (6), às 13h, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
Segundo Marinho, o encontro terá como pauta preocupações da campanha sobre a atuação do Judiciário durante o processo eleitoral de 2026 e decisões que, na avaliação do grupo, interferem na Justiça Eleitoral.
A reunião ocorre dois dias depois do primeiro turno presidencial e em meio a um debate mais amplo sobre a relação entre o STF, o Tribunal Superior Eleitoral e os principais grupos políticos do país.
Marinho diz que levará preocupações a Fachin
O senador anunciou o encontro na noite desta segunda-feira (5), em Brasília.
Ao comentar a pauta, Marinho afirmou que pretende apresentar a Fachin o que classificou como preocupação com uma “interferência indevida” do Judiciário na Justiça Eleitoral.
A avaliação é do coordenador da campanha. Até o momento, não há decisão institucional do STF reconhecendo qualquer interferência irregular no funcionamento do TSE.
O encontro, portanto, deverá funcionar como uma reunião institucional entre o presidente da Corte e um dos principais representantes políticos da campanha de Flávio Bolsonaro.
Pedido de reunião havia sido feito anteriormente
Marinho já havia solicitado audiência com Fachin antes do primeiro turno.
No fim de setembro, o coordenador da campanha afirmou que buscava abrir um canal de diálogo com a presidência do Supremo e transmitir que, em caso de vitória de Flávio, a relação com a Corte deveria permanecer institucional, mesmo diante das críticas feitas pelo PL a decisões de alguns ministros.
A reunião marcada para terça-feira ocorre, portanto, após pedidos anteriores da equipe de campanha.
Campanha critica decisões ligadas à Justiça Eleitoral
Durante a campanha, integrantes do PL fizeram críticas a decisões tomadas por ministros do STF e do TSE sobre propaganda eleitoral, participação em debates, conteúdos publicados nas redes sociais e outras regras do processo eleitoral.
Marinho afirmou que pretende abordar esse conjunto de questões no encontro com Fachin.
O coordenador também tem defendido que divergências com decisões judiciais não devem significar ruptura institucional.
Fachin preside o Supremo desde setembro
Edson Fachin assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal em setembro de 2026.
Como presidente da Corte, o ministro exerce papel institucional relevante na interlocução do STF com os demais Poderes e com atores políticos.
A agenda com Marinho acontece em um momento em que a composição do Congresso eleita neste domingo também ampliou o peso de partidos que defendem mudanças na relação entre Legislativo e Judiciário.
PL terá maior bancada do Senado
As Eleições 2026 deram ao PL a maior bancada individual projetada do Senado a partir de 2027, com 28 das 81 cadeiras.
Na Câmara dos Deputados, a legenda elegeu 121 parlamentares, também a maior bancada individual.
Esse crescimento fortalece a capacidade política do partido para pautar debates sobre indicações ao STF, mudanças constitucionais e pedidos de impeachment de ministros, embora nenhuma dessas medidas possa ser aprovada pelo PL sozinho.
No Senado, por exemplo, uma condenação em processo de impeachment exige 54 votos.
Reunião acontece no início do segundo turno
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno presidencial na frente, com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 45,16%.
Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.
A reunião entre Marinho e Fachin acontece no início dessa nova etapa eleitoral e deverá ser acompanhada de perto pelo impacto político que qualquer manifestação sobre Justiça Eleitoral e STF pode produzir durante a campanha.
Até o encontro ocorrer, a pauta deve ser tratada como anunciada pelo coordenador da campanha. O conteúdo efetivamente discutido dependerá das manifestações feitas após a reunião.
O Portal do Piemonte acompanhará a agenda e eventuais posicionamentos do STF e da campanha após o encontro desta terça-feira.
Fontes: SBT News, CNN Brasil, Estadão e informações públicas sobre a agenda anunciada pelo senador Rogério Marinho.