A estimativa foi elaborada pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia, a FIEB, a partir do cruzamento dos dados do comércio exterior com a lista definitiva de produtos atingidos e isentos da medida americana.

Em 2025, a Bahia exportou US$ 821,4 milhões para os Estados Unidos. Desse total, 33,2% estão sujeitos à nova tarifa, enquanto US$ 548,3 milhões, ou 66,8%, ficaram inicialmente fora da cobrança adicional de 25%.

A tarifa foi determinada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, depois de uma investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A cobrança passou a valer para determinados produtos brasileiros que entraram no mercado dos Estados Unidos a partir de 22 de julho de 2026.

Três setores concentram o impacto

A exposição está concentrada principalmente nas cadeias de papel e celulose, borracha e produtos plásticos — com destaque para os pneus — e produtos químicos e petroquímicos.

Juntos, esses três segmentos representam quase 90% dos US$ 273,1 milhões atingidos, segundo a FIEB. A concentração mostra que a medida não afeta toda a economia baiana de maneira uniforme, mas pressiona setores industriais específicos, com unidades produtivas, fornecedores e trabalhadores ligados ao comércio exterior.

A celulose solúvel aparece entre os principais pontos de preocupação. O produto estava na relação provisória de exceções, mas foi retirado da lista definitiva divulgada pelo governo americano.

Segundo o levantamento apresentado pela entidade industrial, a mudança ampliou em US$ 80,4 milhões o valor da pauta baiana submetida à tarifa. A participação dos produtos atingidos subiu de uma estimativa preliminar de 23,5% para 33,2%.

A FIEB passou a defender que a celulose solúvel seja reincluída entre as exceções, argumentando que outras modalidades de celulose foram poupadas.

A entidade também pede que pneumáticos e produtos químicos e petroquímicos sejam incluídos nas próximas rodadas de negociação entre Brasil e Estados Unidos.

Pedidos podem ser renegociados

Uma tarifa de importação aumenta o custo do produto brasileiro quando ele chega ao mercado americano. Dependendo do contrato, esse valor pode ser pago pelo importador, dividido com o exportador ou convertido em exigência de desconto.

Na prática, empresas baianas podem enfrentar pedidos de redução de preços, adiamento de encomendas ou substituição por fornecedores de países submetidos a tarifas menores.

O efeito não é automático nem igual para todas as empresas. Companhias maiores podem ter mais condições de renegociar contratos, absorver parte do custo ou redirecionar mercadorias para outros mercados.

Empresas menores ou dependentes de poucos compradores tendem a enfrentar maior dificuldade para reagir rapidamente.

Segunda tarifa aumenta a incerteza

Além da tarifa específica de 25% contra determinados produtos brasileiros, os Estados Unidos anunciaram outra medida de 12,5%, relacionada a uma investigação contra 60 economias sobre mecanismos de combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Nos casos em que as duas cobranças recaírem sobre o mesmo produto e não houver exceção, o adicional poderá chegar a 37,5%. O Ministério do Desenvolvimento informou que as medidas podem ser acumuladas conforme a classificação de cada mercadoria.

O valor de US$ 273,1 milhões divulgado pela FIEB, entretanto, foi calculado em relação à tarifa de 25%. Ainda não foi apresentado um levantamento estadual consolidado indicando quanto da pauta baiana também ficará submetido aos 12,5%.

Por isso, não é possível afirmar que todos os produtos incluídos nos US$ 273,1 milhões pagarão a alíquota acumulada de 37,5%.

Bahia defende negociação

O governo da Bahia e a FIEB divulgaram manifestação conjunta contra as duas medidas comerciais e defenderam que o governo federal mantenha a negociação como principal caminho para tentar ampliar as exceções.

Entre os pedidos estão a preservação das isenções concedidas a produtos como celulose branqueada, cacau e derivados, combustíveis, produtos da fruticultura irrigada e café.

A FIEB também recomenda cautela na eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Brasil.

A avaliação é que uma resposta ampla contra produtos americanos poderia encarecer máquinas, componentes, matérias-primas e insumos utilizados pela própria indústria brasileira. A entidade defende que qualquer reação seja seletiva e baseada em estudos específicos de cada cadeia produtiva.

Por que isso importa?

Embora os Estados Unidos representem uma parcela menor das exportações baianas do que no início dos anos 2000, o mercado americano continua relevante para setores industriais de maior valor agregado.

O impacto pode ir além do valor diretamente exportado. Uma redução de pedidos afeta produção, empresas fornecedoras, transporte, serviços especializados e decisões de investimento.

Ao mesmo tempo, os números não sustentam a conclusão de que um terço de todas as exportações da Bahia foi atingido. Os 33,2% se referem exclusivamente às vendas baianas destinadas aos Estados Unidos.