Antes de escolher o próximo prefeito, em 2028, Senhor do Bonfim passará por uma eleição que poderá reorganizar silenciosamente as forças políticas da cidade.
Em 4 de outubro de 2026, o eleitor não votará para prefeito, mas os resultados para deputado federal e estadual serão examinados por todos os grupos como um teste de capacidade de mobilização, transferência de votos e presença territorial.
A pergunta que circula nos bastidores é simples: quem conseguir uma votação expressiva para seus deputados chega mais forte à sucessão de Laércio Júnior?
A resposta é mais complexa.
Sim, o resultado legislativo pode alterar o peso político de lideranças, partidos e vereadores.
Mas não existe uma fórmula capaz de transformar voto para deputado em voto para prefeito dois anos depois.
Senhor do Bonfim, aliás, oferece um dos melhores exemplos de como o eleitor separa as escolhas.
O mapa de 2022: quem tinha voto em Senhor do Bonfim
Na eleição para deputado federal de 2022, Elmar Nascimento liderou no município com 7.492 votos, 20,07% dos válidos para o cargo.
Valmir Assunção, do PT, teve 3.546 votos.
Daniel Almeida, do PCdoB, obteve 2.901.
Márcio Marinho, do Republicanos, recebeu 1.040.
Para deputado estadual, o maior resultado foi de Bobô, do PCdoB, com 12.476 votos, equivalentes a 33,26%.
Júnior Nascimento, do União Brasil, teve 5.092.
Niltinho somou 1.337, Ellen Carvalho 1.090 e Jurailton Santos 556.
Esses números mostram que, antes mesmo da disputa atual, Bonfim já tinha redes fortes funcionando simultaneamente no campo governista estadual, na oposição ao PT na Bahia e dentro da própria base municipal.
| Candidato | Campo político em 2026 | Votos em Bonfim em 2022 | Referência |
|---|---|---|---|
| Elmar Nascimento | União Brasil / oposição estadual | 7.492 | Federal |
| Valmir Assunção | PT / base do governo estadual | 3.546 | Federal |
| Daniel Almeida | PCdoB / base do governo estadual | 2.901 | Federal |
| Márcio Marinho | Republicanos / oposição estadual | 1.040 | Federal |
| Bobô | PCdoB / base do governo estadual | 12.476 | Estadual |
| Júnior Nascimento | União Brasil / oposição estadual | 5.092 | Estadual |
| Jurailton Santos | Republicanos / oposição estadual | 556 | Estadual |
| Thiago Gilleno | Republicanos / oposição estadual | Sem base legislativa local em 2022 | Estadual |
Thiago Gilleno entra como variável nova
O nome que não cabe em uma comparação direta com 2022 é o de Thiago Gilleno Sales de Oliveira, o Dr. Thiago Gilleno, ex-prefeito de Ponto Novo e candidato a deputado estadual pelo Republicanos.
Ele não disputou vaga de deputado naquele ano e, portanto, não possui uma votação legislativa anterior em Senhor do Bonfim que permita dizer se cresceu ou caiu.
Sua referência eleitoral pessoal mais clara vem da eleição municipal de 2020 em Ponto Novo, quando venceu a prefeitura com 5.673 votos, ou 53,59% dos votos válidos.
Esse número não pode ser transportado para Bonfim: é outra cidade, outro cargo e outro tipo de eleição.
O dado relevante para 2026 será observar se um ex-prefeito de um município vizinho consegue construir votação própria no maior colégio eleitoral do território.
O fato de ter escolhido Senhor do Bonfim para apresentar sua pré-candidatura estadual no início do ano também reforçou a centralidade estratégica da cidade em seu projeto regional.
Não dá para dizer hoje quantos votos cada um terá
Cravar uma previsão numérica para outubro seria mais palpite do que análise.
O que existe são marcas objetivas a superar ou defender.
Para Elmar, 7.492 votos; para Júnior, 5.092; para Bobô, 12.476; para Valmir, 3.546; para Daniel, 2.901; para Márcio, 1.040; e para Jurailton, 556.
Em cada caso, a leitura precisa considerar também o tamanho do eleitorado, a quantidade de candidaturas competitivas e a fragmentação dos apoios locais.
Se Elmar repetir a liderança federal e Júnior crescer, o prefeito Laércio Júnior poderá chegar a 2027 demonstrando que sua capacidade eleitoral continua produzindo resultado fora da eleição municipal.
Isso aumentaria seu peso na definição da candidatura governista à prefeitura em 2028.
Se Márcio Marinho e Jurailton multiplicarem suas votações, o vice Eliseu Rios terá argumento semelhante: poderá mostrar que construiu um campo próprio dentro da administração e que não depende integralmente do prefeito para mobilizar eleitores.
Há uma diferença importante, porém.
União Brasil e Republicanos estão juntos no campo estadual que apoia ACM Neto.
Portanto, Elmar, Júnior, Márcio, Jurailton e Thiago não representam cinco projetos estaduais opostos entre si.
Em Bonfim, a disputa também é por influência dentro de um mesmo campo de oposição ao PT na Bahia, ao mesmo tempo em que União e Republicanos participam da situação municipal liderada por Laércio.
O campo do PT e aliados também terá seu teste
Do outro lado, Bobô, Valmir Assunção e Daniel Almeida funcionam como indicadores importantes da capacidade eleitoral do campo ligado ao governador Jerônimo Rodrigues e ao presidente Lula.
Em 2022, os três somaram votações relevantes no município, especialmente Bobô, que sozinho alcançou 12.476 votos para deputado estadual.
Na esfera municipal, porém, o PT sofreu uma derrota muito mais ampla em 2024: Helder Amorim ficou com 8.108 votos, contra os 32.969 de Laércio.
Essa diferença é uma das chaves para compreender a política bonfinense.
Um eleitor pode votar em Bobô para deputado estadual, em Lula para presidente e, dois anos depois, escolher Laércio para prefeito.
Também pode votar em ACM Neto para governador e em um deputado ligado à base estadual do PT.
O comportamento do eleitorado é mais cruzado do que as fronteiras partidárias sugerem.
2022 já mostrou esse voto cruzado
No primeiro turno presidencial de 2022, Lula recebeu 25.238 votos em Senhor do Bonfim, contra 11.990 de Jair Bolsonaro.
Na disputa para governador, realizada no mesmo dia, ACM Neto venceu no município com 18.218 votos, enquanto Jerônimo Rodrigues teve 17.115.
No segundo turno estadual, ACM continuou à frente em Bonfim, com 21.170 votos contra 19.060 de Jerônimo.
Dois anos depois, Laércio conquistou 32.969 votos na reeleição.
O PT, com Helder Amorim, ficou em 8.108.
O contraste demonstra que uma eleição municipal é dominada por fatores próprios: avaliação da prefeitura, imagem dos candidatos, alianças locais, estrutura de campanha, vereadores, lideranças comunitárias e percepção dos serviços públicos.
Ideologia e partido importam, mas não explicam tudo.
O que cada resultado pode significar para 2028
Elmar e Júnior acima das marcas de 2022: reforçariam a leitura de que Laércio mantém capacidade de liderar seu grupo mesmo sem estar na cédula.
Isso poderia favorecer o nome que ele decidir apoiar na sucessão.
Márcio e Jurailton em forte crescimento: dariam mais autonomia ao núcleo de Eliseu Rios e ao Republicanos.
Para um vice-prefeito que naturalmente participa do debate sucessório, esse seria um ativo político importante, sem significar candidatura automaticamente definida.
Thiago Gilleno com votação relevante em Bonfim: mostraria que a disputa de 2028 não pode ser analisada apenas com atores municipais.
Uma liderança regional pode formar alianças, transferir apoios e interferir no equilíbrio entre grupos da cidade mesmo sem disputar a prefeitura.
Bobô, Valmir e Daniel mantendo bases fortes: sinalizariam que a derrota municipal do PT em 2024 não eliminou o eleitorado do campo governista estadual e federal.
Isso daria à oposição municipal uma base a partir da qual reconstruir uma candidatura para 2028, ainda que o nome da chapa futura não esteja definido.
Laércio não estará na urna para prefeito em 2028
Esse é o fator que dá peso adicional ao pleito deste ano.
Laércio venceu em 2020 e foi reeleito em 2024.
Pelas regras atuais, não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo em 2028.
Pela primeira vez desde que chegou à prefeitura, o grupo governista terá de escolher um sucessor sem o próprio Laércio como candidato.
Isso não significa que a eleição de deputado vai escolher esse sucessor.
Significa que outubro de 2026 será o último grande teste de urna antes de o debate municipal entrar em fase decisiva.
Quem sair fortalecido ganhará voz na montagem de chapas, na atração de partidos, na negociação com vereadores e na definição de alianças.
Quem tiver desempenho muito abaixo do esperado terá de reconstruir sua capacidade de mobilização antes de 2028.
O melhor termômetro é comparar, não prever
Por isso, a pergunta “quantos votos Elmar, Júnior, Márcio, Jurailton, Bobô, Valmir, Daniel ou Thiago terão?” ainda não tem resposta responsável.
A pergunta que poderá ser respondida depois de 4 de outubro é outra: quem cresceu, quem perdeu espaço, quem entregou votos onde prometeu e qual grupo conseguiu ampliar sua presença para além dos redutos tradicionais.
Esse será o dado mais útil para entender 2028.
Não como uma profecia, mas como um mapa atualizado das forças que disputarão o futuro político de Senhor do Bonfim.
Fonte: Portal do Piemonte — Política.
Dados eleitorais consolidados pelo Portal a partir dos resultados oficiais da Justiça Eleitoral.