O Banco Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A. entre 2024 e 2025, conforme levantamento publicado inicialmente pela coluna do jornalista Tácio Lorran e reproduzido por outros veículos.
A empresa aparece entre as dez maiores recebedoras de recursos pagos pelo banco no período, sob a justificativa de prestação de serviços. Os documentos completos dos contratos, das notas fiscais e dos trabalhos executados não foram apresentados nas reportagens consultadas.
A Copenhagen foi constituída em novembro de 2024 e está registrada em um prédio comercial de São Caetano do Sul, no estado de São Paulo. Sua atividade principal declarada é a consultoria em gestão empresarial.
O cadastro empresarial consultado pelas reportagens indica capital social de apenas R$ 40. O montante corresponde ao valor formal declarado pelos sócios para a constituição da companhia e não representa necessariamente seu faturamento, patrimônio, capacidade operacional ou limite legal para celebração de contratos.
Por isso, a existência de capital social reduzido não caracteriza crime ou irregularidade automaticamente. O ponto que exige esclarecimento é se os serviços pagos pelo Banco Master foram efetivamente contratados, executados, documentados e avaliados de forma compatível com os R$ 57,9 milhões transferidos.
A diferença entre o capital declarado e o volume recebido chama atenção porque a empresa havia sido criada pouco tempo antes dos pagamentos e passou rapidamente a figurar entre as maiores prestadoras remuneradas pela instituição financeira.
Empresa pertence a fundo de investimento
A Copenhagen é controlada pelo Estônia Fundo de Investimento Multiestratégia, administrado pela Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Trustee DTVM.
A Trustee aparece em linhas de investigação da Polícia Federal relacionadas a fundos, movimentações patrimoniais e possíveis mecanismos utilizados para aquisição ou ocultação de bens ligados ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A presença da gestora nas investigações não significa que todas as empresas ou fundos administrados por ela tenham participado de atos ilícitos. A eventual responsabilidade de cada pessoa física ou jurídica dependerá da análise dos documentos, das movimentações financeiras e das decisões judiciais.
Artur Martins de Figueiredo, que anteriormente ocupou a direção da Copenhagen, também integra a estrutura da Trustee DTVM. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação no uso de fundos de investimento e operações contábeis para movimentar ou ocultar recursos vinculados ao Master.
As suspeitas permanecem sob investigação e não representam condenação definitiva.
Pagamentos precisam ser detalhados
Para esclarecer a operação, será necessário identificar quais serviços foram contratados pelo Banco Master, em que datas ocorreram, quem autorizou os pagamentos e quais relatórios, pareceres ou produtos foram entregues pela Copenhagen.
Também é necessário verificar se os valores foram transferidos diretamente à empresa, se passaram por fundos ou intermediários e qual foi a destinação posterior do dinheiro.
Contratos de consultoria podem alcançar valores elevados quando envolvem operações complexas, reestruturações, captação de negócios ou assessoramento financeiro. Ainda assim, pagamentos dessa dimensão precisam possuir documentação capaz de demonstrar a efetiva prestação do serviço e a compatibilidade dos preços.
Até a publicação das informações disponíveis, não havia sido divulgado um detalhamento público dos contratos que justificaram os R$ 57,9 milhões.
Caso integra apuração mais ampla sobre o Master
O Banco Master está no centro de investigações sobre operações financeiras, circulação de ativos, fundos de investimento e possíveis pagamentos realizados a empresas e pessoas relacionadas ao grupo.
As apurações procuram identificar se houve prestação real de serviços ou utilização de contratos para movimentar recursos sem correspondência econômica suficiente.
O caso também envolve o exame das relações entre o banco, empresas de consultoria, gestores de fundos, empresários e agentes públicos.
A Copenhagen passou a ser citada nesse contexto por causa do volume recebido, do curto período transcorrido desde sua abertura e de sua ligação societária com um fundo administrado pela Trustee.
Essas circunstâncias justificam fiscalização e esclarecimentos, mas não permitem concluir isoladamente que a empresa seja de fachada ou que os pagamentos tenham origem criminosa.
Capital social não equivale ao valor da empresa
O capital social representa o valor inicialmente destinado pelos proprietários à formação de uma companhia ou aquele registrado posteriormente por meio de alterações societárias.
Uma empresa pode possuir capital social baixo e movimentar valores superiores, desde que tenha receitas, contratos e capacidade de cumprir suas obrigações.
Da mesma forma, capital social elevado não garante que uma companhia tenha patrimônio disponível ou atividade econômica regular.
No caso da Copenhagen, o dado de R$ 40 funciona como um elemento de contexto. A regularidade dos pagamentos dependerá da comprovação dos serviços e da origem e do destino dos recursos, não apenas do valor declarado no cadastro empresarial.
Empresa e banco devem apresentar suas versões
A reportagem consultada não informou uma explicação detalhada da Copenhagen sobre os serviços prestados, nem apresentou manifestação específica do Banco Master sobre os R$ 57,9 milhões.
Também não foram divulgadas, de forma integral, as versões do Estônia Fundo de Investimento Multiestratégia, da Trustee DTVM ou dos antigos e atuais administradores da empresa.
A apresentação dessas manifestações é necessária para esclarecer a natureza dos contratos, a composição dos valores e a relação entre as partes.
O Portal do Piemonte mantém espaço aberto para que o Banco Master, a Copenhagen Assessoria e Consultoria, a Trustee DTVM, os administradores do Estônia Fundo e as pessoas mencionadas nas investigações encaminhem esclarecimentos, documentos ou correções.
Investigação ainda não significa condenação
As informações divulgadas fazem parte de apurações e levantamentos jornalísticos relacionados ao caso Banco Master.
Até que haja denúncia formal, julgamento e decisão definitiva, as pessoas e empresas citadas permanecem protegidas pela presunção de inocência e pelo direito ao contraditório e à ampla defesa.
A confirmação de irregularidades dependerá da análise das autoridades responsáveis, incluindo a Polícia Federal, o Ministério Público, o Banco Central e o Poder Judiciário, conforme as atribuições de cada instituição.