Mais brasileiros compareceram às urnas

O segundo turno presidencial, realizado em 25 de outubro de 2026, terminou com 30.509.005 eleitores ausentes, ou 19,22% do eleitorado considerado na totalização do Tribunal Superior Eleitoral.

No primeiro turno, em 4 de outubro, haviam sido registrados 33.469.244 ausentes, equivalentes a 21,08%. A redução foi de aproximadamente 1,86 ponto percentual e de 2.960.239 ausências registradas.

Ao mesmo tempo, o número de comparecimentos passou de cerca de 125,3 milhões para 128,2 milhões. Essas duas medições permitem concluir que a presença nas urnas foi maior na etapa decisiva.

Elas não indicam, sozinhas, qual candidato recebeu votos adicionais ou por quais motivos um determinado eleitor resolveu comparecer.

O significado dos dois percentuais

A taxa de abstenção é calculada sobre o eleitorado utilizado como referência oficial para cada votação. Já os percentuais de candidatos levam em conta apenas votos válidos destinados às chapas concorrentes. Misturar essas bases cria interpretações equivocadas.

Por exemplo, não seria correto dizer que os quase três milhões de eleitores que deixaram de faltar escolheram uma candidatura específica.

Pessoas podem mudar de voto de um turno para outro, outros eleitores podem comparecer pela primeira vez e antigos participantes podem deixar de comparecer. A participação total permite medir presença, mas não permite reconstituir individualmente cada trajetória eleitoral.

Sem pesquisa apropriada ou dados individualizados protegidos — que não são divulgados pelo voto secreto —, qualquer narrativa de transferência automática é especulativa.

A comparação com o primeiro turno

No primeiro turno participaram várias candidaturas presidenciais, enquanto a decisão de domingo envolveu apenas Lula e Flávio Bolsonaro. O formato diferente altera os incentivos políticos e o conteúdo das campanhas.

Pode haver maior mobilização, maior clareza sobre a escolha final ou circunstâncias logísticas distintas.

Contudo, um registro agregado de comparecimento não demonstra qual dessas explicações foi predominante. A diferença entre eleições também não deve ser tratada como prova de mudanças estruturais permanentes na participação da população.

É necessário observar séries históricas, características locais e as regras vigentes.

Uma interpretação jornalística responsável reconhece o resultado medido e apresenta separadamente as hipóteses possíveis, sem transformá-las em causalidade comprovada.

O que o TSE informou sobre o acesso ao voto

No balanço apresentado após a votação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, mencionou a oferta de mais de 95 mil locais de votação no país e iniciativas para facilitar o deslocamento de eleitores.

Também tratou da gratuidade do transporte coletivo conforme decisões judiciais e regulamentação eleitoral.

São medidas voltadas à acessibilidade do processo, mas a existência de ações públicas não permite medir automaticamente seu impacto sobre a queda da abstenção. Para isso, seriam necessários estudos específicos que comparassem condições de mobilidade, públicos atendidos e comparecimento.

O dado nacional revela o resultado geral do conjunto de circunstâncias, não a participação isolada de cada iniciativa.

O recorte que falta no Piemonte

O Portal do Piemonte acompanha nove municípios: Andorinha, Antônio Gonçalves, Caldeirão Grande, Campo Formoso, Filadélfia, Jaguarari, Pindobaçu, Ponto Novo e Senhor do Bonfim.

No primeiro turno, uma reportagem do Portal mostrou que Senhor do Bonfim e Campo Formoso tiveram percentuais de ausência inferiores à média nacional. Entretanto, esses percentuais não devem ser reaproveitados como se fossem resultados municipais do segundo turno.

A comparação correta exige a extração oficial da votação de 25 de outubro por cidade, com eleitorado, comparecimento, abstenção, brancos e nulos. Só então será possível mostrar onde houve mobilização maior e em quais localidades a participação continuou limitada.

Brancos, nulos e ausentes são grupos distintos

O eleitor que comparece e vota em branco ou nulo é contabilizado entre os presentes, mas seu voto não entra na soma destinada às candidaturas. Quem não comparece integra a abstenção.

Confundir esses grupos prejudica a compreensão da apuração.

Também seria incorreto afirmar que a votação branca ou nula favorece automaticamente um dos concorrentes: o percentual de votos válidos é calculado excluindo essas categorias para todos os candidatos.

O resultado oficial do segundo turno é uma expressão das escolhas válidas entre as duas chapas, enquanto comparecimento e abstenção são indicadores diferentes de participação no processo. Ambos são relevantes, mas respondem a perguntas diferentes.

Onde conferir o resultado e continuar a análise

Os números nacionais estão disponíveis na base de resultados da Justiça Eleitoral e no balanço oficial divulgado pelo TSE na madrugada de 26 de outubro.

O leitor pode comparar com a reportagem do Portal sobre a abstenção do primeiro turno e acompanhar o detalhamento da disputa em Eleições 2026.

Essa distinção entre taxa, quantidade absoluta e comportamento individual evita que números corretos sejam utilizados para sustentar conclusões que eles não demonstram. O Portal manterá o enfoque regional sem antecipar resultados municipais não consultados.

Fonte primária: Tribunal Superior Eleitoral.

Por que a taxa exige uma base comparável

Ao comparar a ausência entre turnos, é importante conferir os parâmetros de totalização de cada arquivo oficial. Alguns registros podem contemplar situações técnicas de seções e eleitores com tratamento específico.

A comparação apresentada usa os números divulgados pelo TSE para cada etapa, com arredondamentos das taxas a duas casas decimais.

O número absoluto de presentes também depende do universo efetivamente computado. Por isso, a variação de participação não deve ser apresentada como pesquisa de opinião, nem como avaliação sobre o perfil ideológico dos eleitores que compareceram.