Mais de um em cada cinco eleitores brasileiros aptos a votar não compareceu às urnas no domingo (4). Com 100% da totalização, o país registrou 33.469.244 ausentes, equivalentes a 21,08% do eleitorado.
O percentual ficou acima dos 20,95% registrados no primeiro turno de 2022 e é o maior desde 1998. Ainda assim, não representa recorde histórico absoluto: naquele ano, a abstenção chegou a cerca de 21,5%.
Ao todo, compareceram 125.275.835 eleitores. Além das ausências, foram registrados 2.300.798 votos brancos e 3.674.249 votos nulos.
Os números ajudam a dimensionar a participação eleitoral, mas exigem cautela. Não é possível concluir, apenas a partir da ausência, que os 33,4 milhões de eleitores tenham adotado uma mesma posição política ou deixado de votar por um único motivo.
Abstenção não foi igual em todo o Brasil
A distribuição territorial mostra diferenças relevantes. Entre os estados com maiores percentuais de eleitores ausentes aparecem Mato Grosso do Sul, com 23,87%; Rio de Janeiro, com 23,32%; Minas Gerais, com cerca de 22,8%; e São Paulo, com 22,54%.
Na outra ponta, o Ceará ficou em torno de 15,5%, uma das menores taxas do país. Roraima, Piauí e Sergipe também aparecem entre os estados com menores percentuais de ausência.
O quadro demonstra que os 21,08% nacionais não representam uma realidade uniforme. Em alguns estados, praticamente um quarto do eleitorado deixou de comparecer. Em outros, a participação ficou significativamente acima da média brasileira.
Nordeste teve participação proporcionalmente maior
O Nordeste apresentou, de forma geral, percentuais de ausência inferiores à média nacional. Em estados como Ceará, Piauí e Sergipe, a diferença para o índice brasileiro supera três pontos percentuais.
Esse comportamento indica participação proporcionalmente maior do eleitorado nordestino em comparação com diferentes estados do Sudeste e do Centro-Oeste.
Bahia ficou abaixo da média nacional
Na totalização presidencial de 2026, a Bahia registrou 11.312.752 eleitores considerados na base de apuração. Desses, 2.259.151 não compareceram, resultando em taxa de abstenção de 19,97%.
O percentual ficou 1,11 ponto abaixo da média nacional de 21,08%. Na prática, aproximadamente um em cada cinco eleitores baianos deixou de comparecer às urnas, mas a participação no estado foi proporcionalmente maior do que a média brasileira.
Senhor do Bonfim e Campo Formoso também ficam abaixo da média
O mesmo movimento aparece nos dois maiores colégios eleitorais do Piemonte Norte do Itapicuru.
Em Senhor do Bonfim, a totalização registrou 9.965 eleitores ausentes entre 53.709 considerados na base eleitoral do município, o equivalente a 18,55%.
Em Campo Formoso, foram 10.101 ausentes em um eleitorado de 57.975 pessoas, taxa de 17,42%.
Somados, os dois municípios tiveram 20.066 eleitores ausentes.
Abstenção no primeiro turno de 2026
| Local | Abstenção |
|---|---|
| Brasil | 21,08% |
| Bahia | 19,97% |
| Senhor do Bonfim | 18,55% |
| Campo Formoso | 17,42% |
Isso significa que tanto Senhor do Bonfim quanto Campo Formoso tiveram participação eleitoral proporcionalmente maior do que a média brasileira.
O que os 33 milhões de ausentes realmente dizem?
A magnitude do número coloca a abstenção entre os principais dados políticos do primeiro turno de 2026. Mas existe uma diferença fundamental entre identificar onde estavam os eleitores ausentes e afirmar por que eles não compareceram.
O sistema de divulgação do Tribunal Superior Eleitoral permite acompanhar resultados por estado, município e zona eleitoral, além do comparecimento durante a totalização. Esses dados permitem construir um mapa geográfico detalhado da ausência, mas não revelam automaticamente a motivação individual de cada eleitor.
Dificuldades de deslocamento, mudança de domicílio sem atualização cadastral, problemas pessoais, idade, saúde, desinteresse político ou decisão consciente de não participar podem coexistir dentro do mesmo conjunto.
Por isso, tratar os 33,4 milhões de ausentes como um único bloco político seria uma extrapolação que os dados disponíveis não sustentam.
Brancos, nulos e abstenções são fenômenos diferentes
Também é necessário separar três comportamentos eleitorais. O eleitor que vota em branco compareceu à seção eleitoral, mas não escolheu candidatura. O mesmo ocorre com o eleitor que vota nulo.
A abstenção é diferente: nesse caso, o eleitor não compareceu à votação.
No primeiro turno de 2026, além dos 33,469 milhões de ausentes, foram contabilizados aproximadamente 2,3 milhões de votos brancos e 3,67 milhões de votos nulos. Agrupar os três números como se representassem necessariamente rejeição política produziria uma interpretação incorreta.
O mapa da ausência pode revelar outra eleição
Depois da definição dos vencedores, das bancadas e dos candidatos que avançaram ao segundo turno, existe uma outra fotografia eleitoral ainda a ser explorada.
Onde estão os municípios com maior abstenção? Onde a participação cresceu em relação a 2022? Que regiões tiveram comportamento diferente da média nacional? E como os demais municípios do Piemonte Norte do Itapicuru se comportaram em relação ao restante da Bahia?
Com a totalização encerrada, o Portal do Piemonte seguirá analisando os dados territoriais das Eleições 2026 para mostrar não apenas como cada região votou, mas também onde o eleitor decidiu — ou não conseguiu — participar da votação.
Leia também: abstenção nacional chegou a 33,4 milhões e atingiu o maior nível desde 1998 e acompanhe os dados completos na página especial Eleições 2026.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), base de totalização das Eleições 2026 integrada ao Portal do Piemonte e dados oficiais do primeiro turno de 2022.