Carlos Brasileiro voltou à Prefeitura de Senhor do Bonfim em janeiro de 2017 oito anos depois de deixar o cargo.

A eleição de 2016 lhe deu 22.140 votos, contra 11.647 de Alcidão, além de candidaturas menores.

O resultado recolocou no poder uma liderança conhecida e abriu um terceiro mandato com uma vantagem política importante.

O retorno aconteceu em outro cenário político

Brasileiro havia governado entre 2001 e 2008 em um período de ascensão do PT na Bahia e no país.

Em 2017, ele voltou com Rui Costa no Governo do Estado e uma rede de aliados estaduais e federais capaz de articular investimentos relevantes.

Essa conexão institucional se tornaria uma das principais características do mandato.

Boa parte dos projetos estruturantes anunciados dependia de parcerias com o Governo da Bahia e de emendas parlamentares.

Os primeiros meses foram marcados por retomada de obras

Arquivos do Blog do Bamberg e de outros veículos locais registram uma sequência de visitas, ordens de serviço e retomadas de projetos em 2017.

Entre eles estavam pavimentações na sede e nos distritos, requalificação da Praça da Bandeira e intervenções relacionadas à UPA 24h.

Em Igara, a prefeitura acompanhou a pavimentação da Rua Otávio Mangabeira e anunciou redes de esgoto e novas frentes de infraestrutura.

A gestão também acompanhou a construção da unidade do SENAI, que tinha previsão de capacitar até 1.200 alunos por ano.

Saúde virou o centro da articulação regional

Em 2018, Carlos Brasileiro foi eleito presidente do Consórcio Público Interfederativo de Saúde da região.

O consórcio reunia Senhor do Bonfim e municípios vizinhos e tinha como principal desafio a implantação e manutenção da Policlínica Regional.

O modelo previa investimento estadual na estrutura e custeio compartilhado entre Estado e municípios.

A Policlínica se tornou uma das obras mais importantes daquele ciclo por ampliar o acesso regional a especialidades médicas e exames.

Ao mesmo tempo, o Hospital Dom Antônio Monteiro entrou em um processo de requalificação com previsão de implantação de leitos de terapia intensiva.

Mutirões de cirurgias do Governo do Estado também utilizaram o hospital como referência para moradores de vários municípios da região.

Bonfim em Desenvolvimento reuniu um pacote de grandes projetos

Em maio de 2018, a prefeitura lançou o programa Bonfim em Desenvolvimento.

O pacote anunciado reunia obras e projetos superiores a R$ 100 milhões, somando recursos municipais, estaduais e federais.

Entre os itens divulgados estavam Policlínica Regional, requalificação do hospital, UTI, Mercado de Carnes, Mercado Municipal, pavimentações e recuperação da Avenida Antônio Laurindo.

Deputados aliados apresentaram emendas para saúde, feira livre, turismo, transporte escolar e infraestrutura.

O tamanho do anúncio produziu expectativa elevada.

Também criou um critério objetivo para o julgamento posterior: quais obras foram efetivamente concluídas, quais avançaram parcialmente e quais ficaram para governos seguintes.

Mercados e infraestrutura buscavam reorganizar o centro econômico

A requalificação do mercado e da feira livre apareceu repetidamente nas falas do prefeito desde 2017.

O governo defendia que esses equipamentos melhorariam as condições de comerciantes, feirantes e consumidores.

Além disso, a administração investiu em pavimentação de bairros e localidades rurais.

A extensão territorial de Senhor do Bonfim, entretanto, fazia com que a demanda por calçamento, drenagem e manutenção de estradas permanecesse maior do que a capacidade de execução.

As contas de 2017 expuseram desequilíbrios

O Tribunal de Contas dos Municípios aprovou com ressalvas as contas de 2017.

Naquele exercício, o município arrecadou cerca de R$ 119,6 milhões e teve despesas de aproximadamente R$ 125,5 milhões.

O resultado foi um déficit orçamentário próximo de R$ 6 milhões.

A despesa com pessoal alcançou 61,26% da receita corrente líquida, acima do limite máximo de 54% da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O TCM também apontou problemas em contratações, registros no sistema SIGA e inconsistências contábeis.

Por outro lado, o município cumpriu os mínimos constitucionais de educação e saúde.

Aplicou 25,93% na manutenção e desenvolvimento do ensino e 19,77% em ações e serviços de saúde, segundo o relatório divulgado.

Os anos seguintes mantiveram a agenda de investimentos

Em 2019, a prefeitura continuou apresentando como prioridades os mercados, pavimentações, equipamentos esportivos, Policlínica e hospital.

O programa Bonfim em Desenvolvimento permaneceu como guarda-chuva político para as principais entregas e projetos.

Havia também propostas de turismo religioso e ecológico, incluindo um projeto para a Serra da Maravilha.

Nem todas essas ideias chegaram a se transformar em obras concluídas durante o mandato.

Isso é comum em projetos públicos de grande porte, mas precisa ser registrado porque anúncio e entrega são etapas diferentes.

A pandemia mudou completamente o último ano

Em 2020, a pandemia de Covid-19 alterou prioridades administrativas, gastos públicos e rotina da cidade.

O governo precisou enfrentar uma crise sanitária inédita enquanto se aproximava da eleição municipal.

A pandemia também dificultou a comparação direta entre o último ano do mandato e os três anteriores.

Serviços, comércio, cultura e calendário de eventos foram profundamente afetados.

O TCM reviu uma penalidade relacionada a 2019

Em 2021, depois de Brasileiro já ter deixado a prefeitura, o TCM reviu uma decisão que havia aplicado multa e ressarcimento relacionados ao pagamento de salários de servidores em 2019.

Segundo registro feito na Assembleia Legislativa, o tribunal reconheceu a comprovação de pagamento integral e no prazo e cancelou as penalidades.

O episódio mostra por que decisões de controle devem ser acompanhadas até o desfecho dos recursos.

2020 encerrou o terceiro mandato com uma disputa apertada

Carlos Brasileiro tentou a reeleição em novembro de 2020.

Laércio Júnior, então vereador e candidato pelo DEM, venceu com 19.363 votos, equivalentes a 51,52% dos votos válidos.

Brasileiro recebeu 17.039 votos, ou 45,33%.

A diferença foi de 2.324 votos.

Foi uma derrota muito diferente do fim de 2008, quando Brasileiro não podia concorrer.

Desta vez, o eleitor comparou diretamente o governo em exercício com uma candidatura de mudança.

O que ficou do terceiro mandato

Entre 2017 e 2020, Senhor do Bonfim recebeu ou iniciou investimentos estruturantes importantes, especialmente na saúde regional.

A Policlínica, o processo de requalificação do hospital, a agenda de mercados e as obras de pavimentação marcaram o período.

O governo também demonstrou forte capacidade de articulação com o Estado e parlamentares aliados.

Em contrapartida, enfrentou desequilíbrio fiscal no início do mandato, cobranças sobre execução de projetos e o desgaste natural de uma liderança que chegava ao fim de seu terceiro ciclo na prefeitura.

A eleição de 2020 mostrou que a cidade estava novamente disposta a experimentar uma mudança.

O próximo capítulo começa com Laércio Júnior e uma vitória apertada que, quatro anos depois, se transformaria em uma das maiores reeleições da história recente de Bonfim.

Fontes e documentos consultados