Laércio Júnior chegou à Prefeitura de Senhor do Bonfim depois de uma das disputas municipais mais equilibradas da história recente da cidade.

Em 2020, venceu Carlos Brasileiro por 19.363 votos a 17.039.

A diferença de 2.324 votos mostrava uma cidade politicamente dividida.

Quatro anos depois, o cenário seria completamente diferente.

O primeiro desafio foi construir uma identidade própria

Laércio havia exercido mandato de vereador e chegou ao Executivo como representante de uma coalizão de oposição ao PT municipal.

A vitória encerrava o terceiro governo de Carlos Brasileiro e criava expectativa por uma administração com métodos e alianças diferentes.

Nos primeiros meses, a gestão buscou associar sua imagem à organização urbana, diálogo com setores econômicos e retomada de obras.

Uma das pautas iniciais foi a organização da feira livre do centro, discutida com feirantes em janeiro de 2021.

Infraestrutura virou uma vitrine política do governo

Ao longo do mandato, pavimentações, recuperação de ruas e intervenções em bairros e comunidades rurais passaram a ocupar grande espaço na comunicação oficial.

Registros da Câmara Municipal mostram vereadores de diferentes partidos reconhecendo obras realizadas em bairros, estradas e povoados.

Em 2023, parlamentares da base chegaram a definir a cidade como um canteiro de obras.

Ao mesmo tempo, vereadores também cobravam pontes, estradas, rede de água e providências em pontos onde as intervenções ainda não haviam chegado.

Esse contraste é importante.

Uma política intensa de pavimentação pode produzir visibilidade elevada sem eliminar uma demanda acumulada durante décadas.

Saúde ganhou dimensão regional

O primeiro mandato de Laércio se beneficiou de uma rede regional que havia sido estruturada em anos anteriores e continuou sendo ampliada.

A Policlínica Regional, o Hospital Dom Antônio Monteiro, a UPA, o SAMU e a atenção básica passaram a compor um sistema de referência para Bonfim e municípios vizinhos.

A prefeitura afirma ter ampliado serviços especializados, reestruturado o SAMU, fortalecido a UPA e expandido a rede de atenção básica.

Também houve investimentos em ambulâncias, unidades de saúde e atendimento especializado.

Parte importante dessa estrutura depende de cooperação com o Governo da Bahia e com consórcios regionais.

O relacionamento com o Governo do Estado teve tensão e cooperação

Laércio se consolidou como uma liderança do campo político de oposição ao PT estadual.

Isso não impediu parcerias administrativas com o governo baiano.

Na Câmara, vereadores governistas e oposicionistas disputavam publicamente a autoria política de investimentos em iluminação, saúde, estradas e equipamentos.

Em alguns momentos, aliados de Laércio acusaram o Estado de tratar de forma desigual municípios comandados pela oposição.

Do outro lado, vereadores ligados ao PT e ao PCdoB ressaltavam investimentos estaduais e cobravam reconhecimento da participação do governo.

Esse conflito de narrativa acompanhou praticamente todo o mandato.

As contas públicas tiveram pareceres favoráveis

As contas de 2021 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

A prefeitura informou posteriormente que o exercício de 2022 também havia recebido parecer favorável.

Em 2025, o TCM aprovou ainda as contas referentes a 2023.

O conjunto desses resultados fortaleceu o discurso da gestão sobre responsabilidade fiscal.

Isso não significa ausência de ressalvas, recomendações ou problemas administrativos pontuais.

Significa que, no julgamento das contas anuais, o tribunal não recomendou a rejeição desses exercícios.

O mandato também teve conflitos e críticas

A relação com servidores municipais teve episódios de tensão.

Em setembro de 2023, o sindicato dos servidores publicou nota de repúdio afirmando que a prefeitura havia impedido um dirigente sindical de participar de reuniões de negociação.

A entidade classificou a medida como interferência na liberdade sindical.

A nota representa a posição do sindicato e integra o registro histórico do período.

Também houve cobranças de vereadores sobre pedidos de informação, obras não concluídas e problemas localizados em bairros e comunidades.

Esses episódios mostram que a alta popularidade eleitoral não eliminou conflitos administrativos.

Uma pesquisa de 2023 indicou aprovação muito elevada

Em agosto de 2023, levantamento do instituto Séculos divulgado pelo Bahia Notícias apontou aprovação superior a 80% para a gestão.

A pesquisa ouviu 601 pessoas e apresentou margem de erro estimada em três pontos percentuais.

Naquele momento, o resultado já indicava que Laércio havia ampliado muito sua base em relação à eleição de 2020.

A pesquisa não determinava o resultado futuro, mas ajudava a explicar a posição de favoritismo que o prefeito assumiria no ano seguinte.

O governo ampliou a coalizão política local

Durante o mandato, Laércio construiu uma base ampla na Câmara e aproximou grupos que haviam disputado eleições em campos diferentes.

O vice-prefeito Eliseu Rios e lideranças do Republicanos passaram a integrar um arranjo político mais largo.

Essa expansão permitiu que a eleição de 2024 fosse disputada por uma chapa governista com capilaridade muito maior do que a de 2020.

A oposição, liderada pelo PT, chegou à eleição em situação mais difícil para recompor a coalizão que havia sustentado Carlos Brasileiro.

2024 transformou uma vitória apertada em hegemonia eleitoral

Laércio Júnior foi reeleito com 32.969 votos.

O resultado correspondeu a 79,98% dos votos válidos.

Helder Amorim, do PT, recebeu 8.108 votos.

Rigoberto Batista teve 144.

Em quatro anos, Laércio saiu de 19.363 para quase 33 mil votos.

A diferença não pode ser explicada apenas por obras ou propaganda.

Ela resulta de avaliação da gestão, ampliação das alianças, enfraquecimento da oposição, força da máquina política local e capacidade de construir uma candidatura vista por grande parte do eleitorado como continuidade desejável.

O que a reeleição diz e o que ela não diz

Uma vitória de quase 80% é um indicador político muito forte.

Ela mostra que, naquele momento, a maioria dos eleitores aprovou a continuidade do projeto representado pelo prefeito.

Mas eleição não é auditoria de gestão.

Ela não substitui indicadores de saúde, educação, finanças, infraestrutura, transparência e qualidade dos serviços.

Também não elimina problemas que permaneceram para o segundo mandato.

O que ficou do primeiro governo Laércio

O período de 2021 a 2024 consolidou uma nova liderança dominante em Senhor do Bonfim.

O governo transformou infraestrutura e saúde em vitrines, ampliou sua coalizão e obteve pareceres favoráveis para as contas dos primeiros exercícios.

Enfrentou críticas de servidores, oposição e moradores em pautas específicas, mas essas tensões não se converteram em desgaste eleitoral suficiente para ameaçar a reeleição.

O resultado de 2024 abriu o segundo mandato em uma posição política muito mais confortável.

Também criou uma nova cobrança: depois de vencer com quase 80%, Laércio passou a governar com expectativa ainda maior sobre entregas e sucessão.

O último capítulo desta primeira temporada da série acompanha justamente o mandato iniciado em 2025, que ainda está em andamento.

Fontes e documentos consultados