Edivaldo Martins Correia chegou à Prefeitura de Senhor do Bonfim em 2013 como a principal ruptura eleitoral com os dois grupos que haviam dominado a disputa municipal na década anterior.

Na eleição de 2012, Dr. Correia obteve 18.353 votos.

Carlos Brasileiro recebeu 15.276 e Paulo Machado, então prefeito, ficou com 3.371.

A vitória colocou no Executivo uma liderança com trajetória médica e política distinta dos dois antecessores.

Uma eleição construída sobre o desejo de mudança

O resultado de 2012 foi mais do que uma troca de prefeito.

Ele mostrou que uma parcela importante do eleitorado queria uma alternativa tanto ao retorno de Brasileiro quanto à continuidade de Paulo Machado.

Dr. Correia assumiu acompanhado pelo vice Renato Almeida e precisou montar uma administração com grupos políticos de origens diferentes.

Essa diversidade ajudou a formar a vitória, mas também produziria tensões internas ao longo do mandato.

O início do governo herdou estruturas e compromissos anteriores

Como ocorre em qualquer transição, parte dos projetos executados nos primeiros anos vinha de convênios, concursos e processos iniciados antes de 2013.

Um exemplo foi a continuidade de convocações do concurso público de 2009.

Em junho de 2013, a prefeitura publicou convocação de candidatos aprovados para professor de nível médio.

O ato mostra como políticas de pessoal e investimentos públicos ultrapassam os limites de um mandato e não podem ser atribuídos integralmente a apenas um governo.

Saúde permaneceu como uma das áreas mais sensíveis

O Relatório Anual de Gestão da Saúde de 2013 registra a estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Saúde no primeiro ano de Dr. Correia.

O documento permite observar uma rede que precisava administrar atenção básica, saúde bucal, vigilância epidemiológica, endemias, imunização e outros serviços.

Também havia convênios de períodos anteriores que continuavam produzindo obrigações administrativas.

Um convênio estadual de 2010 para a saúde, por exemplo, teve sua prestação de contas analisada anos depois, já envolvendo tanto o ex-prefeito Paulo Machado quanto o então prefeito Edivaldo Correia.

Infraestrutura teve intervenções pontuais documentadas

Em 2014, registros oficiais mostram contratação para recuperação de pavimentação asfáltica com CBUQ na sede do município.

O valor global informado no processo era de R$ 167.026,64.

Esse tipo de intervenção atendia uma cobrança recorrente de moradores sobre a qualidade das vias urbanas.

Ao mesmo tempo, a escala dos problemas de pavimentação e saneamento era muito maior do que um contrato isolado poderia resolver.

Educação ganhou um Plano Municipal em meio a cobrança por resultados

Em 2015, a gestão instituiu comissão executiva para construção do Plano Municipal de Educação.

O processo reuniu representantes da secretaria, Conselho Municipal de Educação, docentes e coordenação pedagógica.

A elaboração do PME fazia parte de uma exigência nacional de planejamento de longo prazo.

Seu valor estava justamente em estabelecer metas que ultrapassassem o mandato em curso.

As contas de 2013 foram aprovadas com ressalvas

O primeiro exercício financeiro do governo foi analisado pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

O parecer referente a 2013 foi pela aprovação com ressalvas.

Em 2015, a Câmara Municipal confirmou esse entendimento por seis votos a cinco.

O placar apertado mostrou que a avaliação das contas também havia se transformado em disputa política dentro do Legislativo.

Outros questionamentos administrativos ganharam repercussão

Em 2014, o TCM considerou procedente termo de ocorrência relativo à contratação sem licitação de uma empresa de sistemas de informática.

O valor global citado na decisão divulgada pela imprensa era de R$ 22,9 mil.

Em 2015, o tribunal também aplicou multa ao prefeito em processo que discutia acúmulo de cargos por servidores públicos.

Segundo o TCM, havia situações com possível incompatibilidade de horários e exercício concomitante de mais de um vínculo público.

A decisão admitia recurso.

Esses episódios devem ser tratados pelo que são: decisões e apontamentos de controle administrativo, e não condenações criminais.

Os exercícios finais foram mais problemáticos

Listagens públicas do TCM registram as contas de 2015 e 2016 de Edivaldo Martins Correia entre exercícios rejeitados pelo tribunal.

No caso de 2016, o registro inclui representação à Procuradoria-Geral de Justiça.

A existência desses registros teve peso político posterior e alimentou debates eleitorais.

Mas a análise histórica precisa distinguir parecer de contas, julgamento legislativo, recursos e eventual responsabilização judicial.

O ambiente político interno também se deteriorou

A coalizão que havia levado Dr. Correia ao poder não permaneceu intacta durante os quatro anos.

Já em 2013 surgiram sinais públicos de afastamento entre integrantes do grupo vencedor.

Com o tempo, vereadores e lideranças que haviam participado da construção eleitoral passaram a ocupar posições críticas ao governo.

A gestão entrou na segunda metade do mandato com dificuldade para manter a mesma unidade política de 2012.

O governo manteve ações culturais e institucionais

Arquivos do Blog do Bamberg preservam registros de eventos culturais, atividades do São João e agendas institucionais da prefeitura durante o período.

Em 2015, por exemplo, o Pré-Forró voltou a ocupar a Praça Nova do Congresso em parceria com a TV São Francisco.

O governo defendia a valorização do forró tradicional e da identidade cultural bonfinense.

Esses registros ajudam a mostrar que uma gestão não pode ser resumida apenas aos processos de controle que ganhou destaque.

2016 recolocou Carlos Brasileiro no centro do jogo

Ao final do mandato, Dr. Correia não conseguiu construir uma continuidade eleitoral capaz de impedir o retorno de Carlos Brasileiro.

Brasileiro venceu a eleição de 2016 com 22.140 votos.

O resultado encerrou o ciclo iniciado quatro anos antes e devolveu a prefeitura ao PT.

A mudança mostrou que a vitória de 2012 havia sido forte, mas não produziu uma hegemonia política duradoura.

O que ficou da gestão Dr. Correia

O governo de 2013 a 2016 deixou ações em pavimentação, educação, saúde, cultura e administração pública.

Também ficou marcado por uma relação política mais conflituosa e por questionamentos do Tribunal de Contas, sobretudo nos exercícios finais.

Essa combinação fez com que a avaliação histórica do período permanecesse dividida.

Para apoiadores, houve tentativa de romper estruturas antigas e administrar em um ambiente político difícil.

Para críticos, faltaram estabilidade política, capacidade de execução e maior controle administrativo.

O dado incontornável é que, em 2016, o eleitorado escolheu mudar novamente.

O próximo capítulo da série acompanha o terceiro mandato de Carlos Brasileiro, iniciado em 2017.

Fontes e documentos consultados